//
Você está lendo...
Perfis e Especiais, Povo e Cultura

Nas Fronteiras do Desemprego

Nas Fronteiras do Desemprego

Brasileiros e Bolivianos em situação de subemprego passam da informalidade à marginalidade após medidas protecionistas de Morales.

Matéria Publicada no Jornal Laboratório Projétil – Edição 62 (05/2009)
Autores: Andriolli Costa e Maurem Fronza (Acadêmicos)
Foto: Maurem Fronza

A corumbaense Indira Leigues comprou dois carros como “camelô de gasolina” Mudou de atividade com a proibição, mas permanece informal

Na divisa entre Corumbá (MS) e Puerto Quijarro, na Bolívia, o perigo convive com oportunidades. Através da fronteira, contrabandistas constroem verdadeiras fortunas assentadas sobre mortes, prostituição, tráfico de drogas, carros e até de pessoas. Ao mesmo tempo, acostumados a depender do dinheiro incerto dos subempregos, milhares de trabalhadores sobrevivem à custa de pequenos comércios ou prestação de serviços. Invisíveis nas estatísticas oficiais, essas pessoas são levadas ao mercado informal pela necessidade e pela falta de qualificação.

Para elas, a fronteira não é um limite, mas um meio de vida, não é uma barreira, mas um horizonte de expectativas e possibilidades. O desenvolvimento das duas cidades fronteiriças liga fortemente uma à outra. Corumbá, com 96 mil habitantes, está separada por oito quilômetros de estrada da fronteira onde fica Puerto Quijarro, com pouco menos de 13 mil moradores. O fluxo entre os países é intenso e ocorre nas duas direções. Por um lado, os bolivianos buscam em Corumbá atendimento médico, colégio para os filhos e assistência social. Por outro, os corumbaenses procuram em Quijarro combustível, eletroeletrônicos e toda sorte de produtos baratos.

Uma ponte seca com pouco mais de vinte metros facilita o tráfego entre os dois países sobre a linha divisória. No alto de uma pequena subida, o Control Fronterizo boliviano no mesmo tom bege da paisagem contrasta com o azul do novo e espaçoso prédio da Receita Federal brasileira. Casas baixas sem pintura revelam construções improvisadas à margem do asfalto empoeirado. Quando chove, embalagens e sacos plásticos descem por um córrego nas proximidades, levando a sujeira acumulada nas ruas.

A proximidade com o Pantanal traz calor e chuvas torrenciais a esse pedaço do Brasil quase misturado à Bolívia, mas também atrai turistas nacionais e estrangeiros, seduzidos pela pesca esportiva e contemplação ecológica. Muitos visitantes que vão a Corumbá aproveitam o passeio para conhecer a cidade boliviana e fazer compras. A moeda vizinha tem pouco valor comercial. São necessários três pesos bolivianos para comprar um real e seis para trocar por um dólar norte-americano.

Embora distante de Brasília e La Paz, esse território ambíguo é diretamente afetado pelos governos das duas nações. Desde 2006, quando tomou posse, o presidente boliviano Evo Morales vem adotando medidas para proteger a indústria local e diminuir os prejuízos da Receita. Para tanto, proibiu a comercialização de combustíveis fora dos postos de gasolina, bem como a importação e venda de carros antigos e roupas usadas, atividades que envolvem diretamente milhares de pessoas em toda Bolívia.

Sem estudo, qualificação, experiência e agora nem mesmo a possibilidade de continuar no emprego informal, restam poucas alternativas a esses trabalhadores.

Automóveis de Sobrevivência
O carro branco em frente ao ponto de táxi do lado boliviano da fronteira é um Toyota modelo antigo. Importado já usado quando veio da Ásia para a Bolívia no início da década passada, lembra pouco seus primeiros anos. A lataria está descascada, os retrovisores foram arrancados e as lanternas só se mantém unidas por uma grossa camada de fita adesiva. O veículo estala e chacoalha enquanto se aproxima, dando a impressão que vai se desmanchar na primeira curva. A porta se abre e o motorista Gustavo Ramirez anuncia timidamente: “Táxi?”.

Do lado de dentro, a nacionalidade estrangeira do veículo fica evidente. Originalmente, o volante japonês ficava do lado direito. Para trafegar no ocidente, foi arrancado e religado do lado oposto por um emaranhado de fios coloridos. Colados no para-brisa, santinhos revelam devoção a Santo Expedito, Nossa Senhora Aparecida e do Desterro. Na frente, o panda da WWF Bolívia e uma série de adesivos prateados, indicações oficiais de que o carro tem “condições de trafegar”.

O condutor, Gustavo Ramirez, é um boliviano de estatura baixa, pele muito morena e óculos que combinam com seus gestos contidos. Nascido em Potosi, há 55 anos, foi criado em Santa Cruz de La Sierra, onde cursou a Universidad Autónoma Gabriel René Moreno. No primeiro semestre, trocou os estudos pelo táxi. Mais tarde, mudou-se para Puerto Quijarro em busca de melhores oportunidades. É casado há dez anos com a corumbaense Regina da Silva, vinte anos mais nova. Hoje, a escadinha de seis filhos vai de uma adolescente de 17 anos a um bebê de apenas dois.

No domingo da entrevista, Gustavo é o único taxista no ponto em frente à fronteira com o Brasil, desafiando as nuvens pesadas que anunciam a chuva grossa. Na companhia do filho Luiz Gustavo, de 13 anos, espera por algum passageiro desgarrado que lhe garanta a renda do final de semana. A timidez inicial logo vira camaradagem e o motorista conversa animado sobre a vida e o trabalho.

Todos os dias, Gustavo trabalha das quatro da manhã às seis da tarde, com pequenos intervalos para almoçar e levar os filhos à escola em Corumbá. Nos dias de sorte, faz quatro corridas até a cidade vizinha de Puerto Suárez, e cobra oito reais por viagem. Em média, são 20 reais por dia. “É muita competência”, diz, logo acudido pelo filho: “É concorrência em português, pai!”.

Em parte, a concorrência é acirrada porque na Bolívia qualquer carro pode transportar passageiros informalmente, sem identificação. A polícia boliviana da fronteira explica que apenas os veículos sindicalizados possuem a placa vermelha indicativa da atividade de taxista. Via de regra, taxistas bolivianos não podem realizar corridas no Brasil e vice-versa. No entanto, a frota irregular do país vizinho dificulta o controle pelas autoridades brasileiras.

Gustavo calcula que existam aproximadamente 200 táxis somente na faixa de fronteira entre os dois países. Boa parte é de carros como o Toyota do taxista: importados da Ásia com pelo menos dez anos de uso. No entanto, essa realidade não se restringe apenas aos taxistas. O governo boliviano estima que a grande maioria dos 10 mil carros importados a cada mês pela Bolívia esteja nessas condições.

Em dezembro de 2008, Evo Morales proibiu a importação de veículos produzidos antes de 2004, alegando risco ambiental e de segurança. A frota barata e ultrapassada inibe o surgimento da indústria nacional, não oferece segurança para os passageiros, além de poluir o meio ambiente, devido ao enorme consumo de combustível. A reação dos importadores foi violenta e manifestações terminaram em morte em Santa Cruz. No entanto, o governo manteve-se irredutível.

Grande parte das ruas bolivianas não tem pavimentação. Os taxistas não têm interesse em comprar um carro mais novo, e por consequência mais caro, para que ele seja arruinado pela má condição das estradas. “Se aqui é difícil, imagina mais para dentro”, garante Gustavo referindo-se ao interior da Bolívia.

Foto: Andriolli Costa

Carros usados como o Toyota de Gustavo Ramirez estão com os dias contados

À noite o carro volta às ruas do lado boliviano. Vai buscar a filha mais velha, Jéssica, na universidade de Puerto Suárez, onde cursa Administração de Empresas depois de passar o dia inteiro vendendo CDs “Shopping Chão”, uma espécie de camelódromo boliviano.

A principal renda da família vem do táxi que carrega fregueses e leva as crianças para o colégio. Para reforçar a renda, o taxista construiu quatro quartos que aluga a 60 reais por mês para os comerciantes recém-chegados na cidade. Mas lamenta: “é muito barato, logo todos juntam um dinheirinho e fazem sua casa”.

Já o menino Luiz Gustavo afirma estar estudando bastante, pois sonha em ingressar na Marinha. Com todos os filhos registrados no Brasil para garantir mais direitos, a família costura a dupla identidade nacional trafegando sobre a fronteira em um automóvel vindo do outro lado do Oceano Pacífico.

Combustível Engarrafado
Taxista independente em Puerto Quijarro, Indira Valdivia Leigues trabalha pouco comparada a Gustavo Ramirez. Todas as manhãs, sai de casa às 5 horas, recolhendo passageiros até às nove. A essa hora, somou 50 ou 60 reais. “Já dá para o almoço”, calcula ela.

Aos 37 anos, a loira de olhos claros e serenos entrou no mercado de trabalho somente no ano passado e o táxi foi sua segunda opção. Corumbaense de nascimento, Indira mudou-se com a família para a Bolívia no início da adolescência. Foi casada dos 16 aos 27 com um boliviano, com quem teve três de seus seis filhos. Dona de casa por quase 20 anos, em 2008 recebeu o diagnóstico de depressão juntamente com o conselho médico de trabalhar fora para superar a doença. Com o ensino médio incompleto e sem experiência alguma no mercado, foi o que ela fez.

Durante seis meses, Indira trabalhou como “camelô de gasolina”, vendendo litros e mais litros de combustível boliviano separados em garrafas de Coca Cola. Em sua casa de três peças de cimento batido, com roupas estendidas no muro para secar, ela guarda ao lado do fogão os galões de 200 litros que enchia nos postos de gasolina.

Espalhados no quintal de terra vermelha, junto à pequena criação de patos e galinhas, recipientes menores que também costumavam ser cheios indicam que a procura era intensa.

Até o ano passado, os brasileiros aproveitavam para completar o tanque no país vizinho. Além da pureza do produto boliviano, sem mistura de álcool como no Brasil, o preço era sedutor. “A gasolina no Brasil custa 2,85 reais, aqui na Bolívia é 1,25. A gente revendia o litro por 1,60”, conta Indira. Na Bolívia, o combustível é subsidiado pelo governo, daí a diferença de preços entre os dois países. Até o fim deste ano, os gastos com subsídios deverão ultrapassar os 380 milhões de dólares para a economia boliviana.

Em 2006, o governo de Evo Morales começou a impor restrições. De início, limitou o consumo diário de combustível. Os carros de passeio, por exemplo, passaram a ser cadastrados e podiam abastecer até 53 litros se tivessem placa boliviana e 20 se ela fosse brasileira. As filas nos postos de gasolina eram tão grandes que os motoristas chegavam a dormir dentro dos carros.

Ao invés de interrompê-lo, a medida aumentou ainda mais o comércio paralelo de gasolina. Trabalhando das 7 da manhã às 8 da noite, Indira chegava a vender até mil litros de combustível por dia. “Na época da Piracema, as pessoas compravam muito para colocar nos barcos de turismo. Levavam 200 litros de uma só vez”. Alternando os postos de gasolina, ela abastecia até quatro vezes seguidas com a ajuda do filho Jeremias, de 14 anos. “A gente dava um dinheirinho para o frentista e ele completava o galão no banco de trás”, conta.

Dos recipientes, o combustível era dividido entre várias garrafas de refrigerante, e armazenado no porta-malas do carro. Sinalizando com o polegar para baixo, sinal conhecido entre os compradores, mãe e filho anunciavam o produto para turistas e moradores do outro lado da fronteira. De tanto carregar peso Jeremias contraiu problema na coluna e agora precisa de cuidados médicos.

Indira teve que deixar a atividade a partir do dia 13 de novembro de 2008, quando um decreto do governo de Evo Morales enquadrou o contrabando de combustível na legislação antidrogas. A pena estabelecida é de cinco a 25 anos de prisão em alta segurança e todos os que transportarem combustível em recipientes avulsos terão o veículo apreendido. Em outra medida, tomada em janeiro de 2009, motoristas estrangeiros passaram a pagar preço internacional ao abastecerem em postos até 50 km da divisa com a Bolívia. As atitudes do país vizinho buscam evitar o desabastecimento e proteger a economia local, que desperdiça milhões ao abastecer carros brasileiros com combustível subsidiado.

Como a atividade de camelô de gasolina passou da informalidade à marginalidade, Indira optou por outra igualmente informal: a de taxista. Usou o dinheiro do combustível para comprar dois carros usados. Um ela dirige; o outro aluga. Com seu português carregado de sotaque castelhano, ela conta que mesmo afastada da antiga atividade, ainda conhece os caminhos da venda ilegal. “Se você quiser, sei como conseguir gasolina barata!”

Roupas Usadas, Velhos Problemas

Foto: Andriolli Costa

Carlos Angel e sua esposa Angélica vendem 660 kg de “roupa americana” todos os meses

Do mesmo modo que o contrabando de gasolina, o comércio das chamadas “roupas americanas” causa dores de cabeça ao governo boliviano. São vestimentas usadas recolhidas como doação em países como Estados Unidos e da Europa que entram na Bolívia através de contrabando. Comercializadas dos dois lados da fronteira brasileira, calças, vestidos, camisas, toalhas, e todo tipo de confecções estrangeiras de qualidade são vendidas a preços baixíssimos: a partir de um real.

Em Puerto Quijarro, as roupas são expostas para venda completamente amarrotadas, como se o comerciante só tivesse o trabalho de tirar da sacola e jogar no mostruário. Os pontos de venda são casinhas discretas, longe da vista da maioria. No Brasil, a situação é outra. Não só as roupas usadas são dobradas e empilhadas, como também são vendidas abertamente em diversas barracas das feirinhas locais.

Montada cada dia num bairro diferente, a Feira Livre, uma das mais tradicionais de Corumbá, tem boa parte de suas barracas destinadas ao comércio de roupas. Destas, muitas pertencem aos vendedores de “roupa americana”. O corpulento Carlos Angel Solis, de 24 anos, e sua esposa Angélica Molina Rodrigues, de 28, expõem seus produtos nos oito metros que delimitam a última barraquinha da feira.

Receoso no início da entrevista, Carlos conta que começou a trabalhar cedo. Desde os 11 anos de idade ajudava o tio a cuidar de um bar em Santa Cruz. O que mais chamava a atenção do garoto em meio ao incansável movimento noturno era a Rockolla, uma máquina ao estilo jukebox que exibe videoclipes em troca de uma moeda de um real. Mais tarde, aconselhado por amigos, mudou-se para Quijarro em busca de oportunidade. Há três anos, herdou a barraca de roupas da mãe e foi trabalhar na feira.

De cada dez compradores de “roupa americana”, sete pertencem à classe média. Para encher sua banca, Carlos busca seis sacos de 55 kg de mercadorias duas vezes por mês em Santa Cruz de la Sierra. Os preços variam entre 100 e 250 dólares, dependendo da qualidade do tecido. Carlos compra o primeiro, e de cabeça calcula: “Dentro de um saco desses, deve ter uns 200 shorts”. Ele vende cada um por oito reais.

No ano de 2005, o Instituto Boliviano de Comércio Exterior (IBCE) e a Câmara Nacional de Indústrias (CNI) produziram um estudo chamado O Impacto da Importação de Roupa Usada na Bolívia, que revelou dados preocupantes. A pesquisa mostra que o comércio movimenta 40 milhões de dólares anualmente.

No entanto, o prejuízo acumulado na economia boliviana entre 2000 e 2005 superou 500 milhões de dólares, valor que equivale a 6% do PIB (Produto Interno Bruto) anual do país, calculado em 9,3 bilhões. Segundo o estudo, aproximadamente 15 mil pessoas trabalham com “roupa americana” na Bolívia. Durante os seis anos analisados, o país deixou de gerar 107 mil postos de trabalho. Mais de 20 mil fábricas de confecções foram fechadas em consequência da perda de mercado.

Quando chega de viagem, Carlos deixa sua mercadoria com uma boliviana que mora no lado brasileiro. A medida é fundamental para manter a atividade, uma vez que a legislação brasileira limita o trânsito de mercadorias na fronteira em 100 dólares diários e 300 dólares por mês no caso de bagagem turística. Em 2008, a Receita Federal de Corumbá realizou 432 apreensões com total de 6,5 milhões de reais.

Casta Suarez, de 56 anos, é a mulher que aluga a casa para os feirantes guardarem os produtos. Todos os dias, às 4 da manhã, já está acordada, sentada em sua cadeira de matriarca, esperando os vendedores que vão buscar os ferros de armação, os caixotes de verdura e as sacolas de roupas. No fim da tarde, o movimento retorna e a casa é novamente tomada por pilhas de artigos encaixotados. O aluguel é semanal e o preço depende do espaço ocupado. Pelos seis sacos de roupa americana, Carlos paga 12 reais todo o domingo.

Além do espaço para armazenamento, ela e a filha Fabíola, de 31 anos, preparam mais de 100 refeições por dias. O sucesso é tanto que muitas vezes mãe e filha ficam sem almoço. São comidas típicas como o marradito (carne desfiada com arroz) e a sopa de maní (amendoim), preparadas em uma cozinha espremida na parte dos fundos da casa. Tudo é comprado na Bolívia, já que os feirantes preferem o sabor da terra natal. Casta e a filha ganham a vida dando suporte ao subemprego na fronteira e, por isso, funcionam como base de sustentação para essas atividades informais.

Novamente na defesa da indústria nacional, o governo boliviano proibiu a importação de roupas usadas em abril de 2007. Dentro de um ano as “roupas americanas” deveriam deixar de ser comercializadas. No entanto, pressões dos comerciantes estenderam o prazo para março de 2009, e finalmente para março de 2010, data limite para a extinção da atividade no país.

O presidente da Associação dos Trabalhadores Autônomos em Feiras Livres de Corumbá e Ladário (AAFLCL), Francisco Ormond Filho é corumbaense e tem sua própria barraca de roupas na Feira Livre. Ele cobra que deveria haver maior cuidado com as roupas pela Vigilância Sanitária, visto que elas não possuem nenhuma esterilização e podem transmitir doenças.

Francisco brigou por 17 anos contra a venda de roupas usadas na Feira Livre: “Eu trabalhava só com confecções brasileiras. Tinha que pagar impostos, ter documentação, pagar passagem para buscar mercadoria em São Paulo. E aí sofria concorrência deles com mercadoria sem encargo nenhum!”. Hoje, ele vende mercadoria dos dois países, mas deixa clara a procedência de cada uma.

Com a proibição definitiva da venda das roupas usadas, muitos feirantes vão ter que repensar o meio de vida. Mesmo contrário à atividade, Francisco é cauteloso: “Se hoje tem muitos bolivianos trabalhando com produtos que não deveriam ser comercializados, não é por culpa deles. É do próprio poder público que foi permitindo.” E arremata: “como chegar para um pessoal que trabalha há 15, 20 anos vendendo produtos de outro país e dizer que agora não pode?”.

Foto: Andriolli Costa

Rockolla – Sonho de consumo de Carlos

Em uma declaração no site, o presidente do IBCE, Ernesto Antelo López, é categórico. Para ele, os vendedores de roupa americana tiveram “todo o tempo do mundo para mudar de emprego”. E finaliza: “este negócio deve parar, para que não se percam mais empregos no país”.

Taxistas independentes, camelôs de gasolina e comerciantes de roupa usada, são típicos trabalhadores informais da região de fronteira Brasil-Bolívia. O subemprego é a alternativa de renda que se coloca entre o desemprego e o trabalho formal. Ele quase sempre surge como uma solução temporária que acaba tornando-se permanente.

Levados ao mercado informal pela necessidade de sobreviver e sustentar a família, estes trabalhadores sem educação, preparo ou qualificação, encontram no subemprego sua única saída. Quando se perde até mesmo essa possibilidade, a tendência não é retornar ao mercado tradicional, mas procurar uma atividade também informal, como fez Indira, ou partir para a marginalidade.

Carlos já tem planos para quando a proibição chegar. Vai usar suas economias e montar um bar em Santa Cruz igual ao que trabalhava quando adolescente. “O bar é minha única profissão. Cresci vendo como ele funciona. Isso é tudo o que eu sei fazer”. Se tudo der certo, poderá até mesmo ter o seu próprio Rockolla.

Anúncios

Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Twitter

%d blogueiros gostam disto: