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Economia e Agro, Matérias

Produção de mel em Mato Grosso do Sul cai em 2009, mas ainda é uma promessa

Estiagem seguida de excesso de chuvas fazem a produção apícola cair em mais de 50%

Autores: Andriolli Costa e Janaína Mansilha
Publicado em 10/03/2010

Foto: Agencia SebraeCampo Grande – A produção brasileira de mel vem provando grande crescimento nos últimos anos, com suporte de diversas entidades que apóiam o apicultor em seu empreendimento. Em Mato Grosso do Sul, o cenário começa a ganhar mais expressão e representatividade, refletida na criação da Federação Estadual de Apicultura e Meliponicultura, no final de fevereiro.

Segundo o diretor da Federação, o veterinário e apicultor Gustavo Nadeu Bijos, a entidade surge em um momento chave para os criadores de abelha. Em 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o Projeto de Lei 144/2009, que regulamentava a profissão de apicultor. No mesmo ano, os fatores climáticos prejudicaram consideravelmente a produção de mel em todo o país, reduzindo a colheita, no Mato Grosso do Sul, em mais de 50%. “A Federação tem o desafio de profissionalizar a atividade e recuperar os números outrora promissores da apicultura local”, diz Gustavo.

Em 2008, Mato Grosso do Sul contava com 1,3 mil apicultores legalizados que produziam 650 toneladas de mel por ano. Para Bijos, esse número certamente não corresponde mais à realidade. De acordo com relatório do projeto de apicultura do Sebrae/MS, no sul do Estado, onde estão 30% da produção de mel, entre outubro de 2008 e outubro de 2009, o número de apicultores formalizados caiu de 47 para 32. E a produção, que em junho chegou a registrar 26 toneladas de mel, caiu mais de 72%.

“Em 12 anos de trabalho eu nunca tirei uma média menor que 10 toneladas de mel por ano. Em 2009, eu tirei 700 kg”, relata Antônio Peres Giulhem, um dos produtores da região. Seu apiário na cidade de Dourados conta com 300 colméias, e registrou um abandono de 80 delas só no ano passado. “Neste começo de ano, o prejuízo parece que está indo pelo mesmo caminho. Não há muito o que fazer. Eu estou apostando as minhas fichas no segundo semestre”.

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Gustavo Bijos afirma que não se deve cruzar os braços, mas que realmente não há forma de evitar o prejuízo. “O produtor pode tomar algumas medidas para, pelo menos, minimizar os danos na produção. Coisas simples como estar atento à previsão do tempo podem ajudá-lo a saber quando melhorar a alimentação protéica ou quando mudar as colméias de lugar”.

O técnico do Sebrae/MS na região sul, Vamilton Junior, explica o que causou tantos prejuízos para os produtores: “Primeiro foi a estiagem que começou no final de 2008. A seca causa a morte da florada e a evacuação dos enxames, que abandonam as caixas a procura de um lugar com mais alimento. Depois, vieram os longos períodos de chuva, que também são prejudiciais”. A água lava o pólen das flores, e impede a abelha de sair para trabalhar. Quando finalmente chega o sol, não há nada para o inseto colher, pois foi tudo carregado pela chuva.

Outro malefício causado pela chuva foi na infra-estrutura. Cícero Godoy, Presidente da Associação Brasilandense de Apicultura (ABA), conta que não consegue beneficiar sua produção porque o mal tempo tornou as estradas intransitáveis: “Não posso transportar o mel porque os favos se quebrariam com tantos buracos”.

Mesmo com estes problemas, os produtores se mostram otimistas. “O mercado de apicultura sempre esteve propício para novos investimentos”, diz Bijos. A criação de abelhas em cativeiro é uma atividade conhecida pelos baixos custos do investimento inicial e da manutenção. Também é reconhecida ambientalmente sustentável, visto que as colméias necessitam de pouco espaço físico e de uma flora variada para produzir mais.

Segundo aponta uma pesquisa da Embrapa Pantanal, todo apicultor, mesmo com poucas colméias, alcança bons resultados econômicos já no primeiro ano de ingresso na atividade. O investimento na construção ou compra das colméias, com orientação técnica, poderá ser pago com o lucro do mel ainda no primeiro ano.

Bijos ainda oferece mais um conselho para os interessados em começar a trabalhar com apicultura no Estado: “É importante lembrar que não se deve depender exclusivamente da apicultura, para não ficar refém das mudanças climáticas. Diversificação das culturas é uma garantia a mais na renda do produtor”.

Outro recomendação é a escolha do tipo de produto que se deseja produzir. O mel silvestre é mais encorpado e pode ser armazenado durante mais tempo, diferente do mel de eucalipto que é cristalino e deve ser consumido rapidamente. No entanto, o tempo de florada deste último é duas vezes mais veloz que o primeiro, permitindo realizar a primeira colheita de mel a curto prazo.

Serviço:
Sebrae/MS – (67) 3389-5499

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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