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Inovações no ecoturismo garantem destaque nacional para Bonito (MS)

Andriolli Costa / Agência Sebrae
Publicado em 15/11/2010

Campo Grande – Em busca de valorizar as inovações na atividade turística, o Ministério do Turismo, em parceria com o Instituto Marca Brasil e a Fundação Getúlio Vargas, seleciona em todo o Brasil 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional. Neste ano, 27 deles foram escolhidos para receber o prêmio de melhores práticas. Entre os vencedores está o município de Bonito, em Mato Grosso do Sul, representado na categoria “políticas públicas”.

A cidade, que possui menos de 20 mil habitantes, recebe, de acordo com informações do diretor da Secretaria de Turismo, Clayton Castilho, cerca de 200 mil visitantes por ano. Grande parte originários do Estado de São Paulo, que buscam no interior o turismo de aventura e o contato com belezas naturais. No entanto, como qualquer atividade comercial, o turismo consome território, pode colocar em risco o meio ambiente e, caso seja desenvolvido sem qualquer controle, pode deixar o município sem sua principal fonte de renda.

“Nós temos laudos de impacto ambiental realizados por biólogos e geólogos que nos apontam um limite diário para número de visitas e quantidade de pessoas em cada atração”, relata Castilho. Para a famosa Gruta do Lago Azul, por exemplo, não se pode passar de 305 pessoas ao dia. Mantendo-se nessa faixa, a natureza é capaz de se recuperar das interferências causadas pela visitação. E não apenas isso. “Muitos dos passeios são contemplativos. As pessoas vêm aqui para mergulhar com os peixes, visitar as cachoeiras… Não dá para aproveitar isso tudo com muita gente no grupo”, esclarece.

Voucher digital

Para orientar a atividade turística na cidade, a prefeitura terceirizou a uma empresa o desenvolvimento do voucher único digital, uma inovação que rendeu o prêmio a Bonito e que permite o controle preciso da quantidade de visitantes. “Para participar de qualquer passeio, o visitante precisa pagar por ele em uma agência de turismo. Não adianta ir direto ao local”, aponta o diretor de turismo. “Cada turista recebe um voucher, que permite o agendamento dos passeios com até um ano de antecedência. Como o sistema é unificado, nenhuma agência vai poder vender o passeio se ele estiver lotado.”

Assim que um visitante adentra um atrativo, o voucher emite cinco vias, que são geradas digitalmente: para o turista, para o guia, para o proprietário do passeio, para a agência de turismo e uma última para o ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza). “O voucher acabou virando mais do que uma ferramenta de controle. Ele também é um documento fiscal da prefeitura”, pondera Castilho.

Turismo como experiência

Dados da Prefeitura Municipal de Bonito apontam que, entre os anos de 1996 e 2003, o fluxo da atividade turística aumentou em quase 115%. No entanto, a partir desta data ele começou a cair anualmente, tendo atingido queda de 11% em 2006. “Bonito teve um bom momento de ascensão e depois passou alguns anos estagnada”, expõe Rafael Beluque, promotor de vendas da Estância Mimosa, uma das propriedades rurais que se abriu para a atividade turística.

O diretor da Secretaria de Turismo da cidade, Clayton Castilho, estima que em média, cada pessoa permaneça em Bonito por três dias. “É um tempo insuficiente para fazer todos os passeios”, destaca. “Além disso, a natureza sempre oferece surpresas. Você pode ver um cardume num dia, um jacaré no outro…”

Inovações

E para chamar mais a atenção do turista, outras inovações tiveram início no ano passado. A Estância Mimosa e outros 17 empreendimentos passaram a integrar o projeto Economia da Experiência, realizado pelo Sebrae. Vanessa Leite, técnica do Sebrae em Bonito, explica que a proposta é despertar os cinco sentidos do visitante, oferecendo cheiros, sabores e sensações além do tradicional. “Buscamos oferecer novas experiências ao turista para que ele possa levar da cidade não apenas fotografias da natureza, mas memórias de suas vivências aqui.”

Rafael Beluque elenca algumas das inovações incorporadas na Estância. Além de degustar um pouco da culinária pantaneira, o hóspede pode participar do trabalho da cozinha ajudando a plantar e colher vegetais orgânicos direto da horta. “Além disso, o visitante também pode mexer o doce de leite, tirar fotografias e, no final, ainda raspar o tacho.”

Suítes temáticas

O Mahuá Hotel, também integrante do projeto, decidiu apostar nos aromas diferenciados. Além dos quartos e suítes tradicionais, o empreendimento criou duas suítes temáticas: a Pantaneira – com decoração em couro e madeira e essência que lembra a mata – e a Águas de Marruá, enfeitada com decalques de peixes, mini cascata e essência com aroma dos rios. Os apartamentos ainda oferecem a cromoterapia na banheira.

A gerente geral do hotel, Tânia Van Der Sand, destaca que, apesar dos preços mais elevados, que podem custar até 25% a mais que as suítes de luxo, as temáticas tem atraído bastante atenção. “Nós estamos conseguindo atingir o público A, que antigamente não nos procuraria. Hoje, conseguimos estar na disputa de interesse com qualquer hotel de luxo da cidade”, diz.

Conhecendo Bonito

Bonito, eleita nove vezes consecutivas o Melhor Destino de Ecoturismo pela Revista Viagem e Turismo é uma região calcária, em meio à Serra de Bodoquena, a 270 quilômetros de Campo Grande. O terreno característico se torna um grande filtro natural, fazendo a água correr naturalmente cristalina.

Percebendo as potencialidades de explorar as belezas naturais e o turismo, muitas das antigas fazendas de gado optaram por mudar de ramo e investir nos passeios. É possível realizar mergulhos com peixes, flutuação, bóia-cross e muitos outros. Para conhecer um pouco dos atrativos turísticos oferecidos pelos empreendimentos que integram o projeto Economia da Experiência, basta acessar o site: www.tourdaexperiencia.com/experiencias/bonito

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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