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Economia e Agro, Matérias

História da Raça – Brangus

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 10/06/2011

Essa semana, Campo Grande/MS sediou a 10ª edição da Expobrangus. O encontro reuniu produtores, empresários e entusiastas da raça, que vem ganhando novos adeptos ano após ano. A Asssociação Brasileira da assim chamada “raça forte” (ABB) estima cerca de 2 milhões de cabeças de Brangus espalhadas pelo país, e tem articulado melhores preços junto aos frigoríficos e maior acesso ao mercado, apostando na qualidade da carne como um diferencial para as vendas.

Com isso em vista, o diretor comercial da entidade, Ernesto Coser Neto, propôs um dilema. É fato que com mais dinheiro no bolso, maior também é o consumo de carne pelo brasileiro. Mas se as pessoas não reconhecem as qualidades do Brangus, não importa quanto elas recebam; essa não será uma carne procurada.

Desta forma, para que o consumidor tenha acesso a mais informações sobre o que está comendo e que os produtores conheçam novos animais para investir, a Rural Centro inicia a série Histórico das Raças.

O Início
O Brangus é uma raça sintética, criada a partir da raça Aberdeen Angus com uma raça zebuína. Nos Estados Unidos, onde a raça foi criada em 1912, a Brahman foi a primeira a ser utilizada (daí a origem do nome). Já no Brasil, pela tradição e adaptabilidade do rebanho, o Brangus é normalmente gerado utilizando o Nelore. Qualquer cruza entre as duas raças pode ser chamada de Brangus, mas é apenas quando se segue a proporção 5/8 Angus e 3/8 zebu.

Foi só mais tarde que a raça foi trazida para o Brasil, e na década de 70 a Embrapa Pecuária Sul começou a investir nos animais. Como no início, o Brangus era desenvolvido na cidade de Bagé, a raça recebeu no país o nome de Ibagé. Mais tarde, numa tentativa de padronizar com o resto do mundo foi chamado de Brangus Ibagé e por fim, finalmente apenas Brangus.

O Brangus se popularizou pelo país durante até o final da década de 90, quando um forte lobby contra a produção de gado cruzado segurou o mercado e desencorajou vários produtores. A partir de 2006, a cisma passou, e o mercado começou a ganhar força novamente, com foco nos animais de pasto e não de elite. É o que relata Carlos Waihrich, da JMT Agropecuária, com sede em Santa Maria/RS. “É claro que existem bons animais de argola, mas estes são usados mais como uma vitrine da raça e da cabanha. O foco é mostrar que a raça não está distante dos produtores rurais”.

Características
“As raças britânicas e continentais, como o Angus dificilmente se adaptam em outros climas principalmente por causa do comprimento do pelo e em razão dos carrapatos”, explica o zootecnista da ABB, Pedro Adair. Ele, que afirma ser o técnico mais antigo a trabalhar com a raça, acompanha o Brangus desde suas primeiras experiências na Embrapa de Bagé, há quase 30 anos.

Com o cruzamento com o zebu, o animal ganha resistência aos carrapatos e pelo mais curto. Mais do que isso,  Pedro Adair também reforça: “É uma raça rustica, dócil, produtiva e com uma precocidade muito grande”. O animal pode ser abatido com 12 meses no caso das novilhas e entre 14 e 18 meses no dos garrotes.

Presidente da ABB, Marcos Meirelles esclarece que uma das características que tornam o animal mais adaptável do que os demais cruzamentos industriais é fato de apresentar cascos e mucosas escuras. “O casco preto é uma das características valorizadas, por que ele é mais resistente que os claros. E as mucosas negras oferecem maior resistência ao calor do que outras raças britânicas, raças como o Braford, por exemplo”. Desta forma, é o Brangus se torna uma opção valiosa para produtores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. “Eu mesmo tenho criação no Pantanal”, relata Meirelles.

Qualidade da Carne
“A carne do Angus é reconhecida em todo o mundo por sua qualidade”, relembra Pedro Adair. O Brangus segue pelo mesmo caminho, apresentando uma carne marmorizada e com boa distribuição de gordura. Mais do que isso, o rendimento da carcaça do animal alcança 60%, o que torna altamente interessante para os produtores e frigoríficos. Desse total, 40% de rendimento é apenas na região traseira, zona de maior valor comercial no mercado.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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