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Economia e Agro, Matérias

História da Raça: Wagyu

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 24/06/2011

Para um observador leigo, à primeira vista, um Wagyu pode não chamar mais atenção do que qualquer outro bovino de fazenda. A raça originária do Japão (daí a origem de seu nome, em que Wa significa japonês e gyu, gado) não chama atenção pela beleza ou pelo tamanho. No entanto, é em outro campo que o animal se destaca – e incomparavelmente. A carne do Wagyu é reconhecida internacionalmente como a mais cara do mundo, com o quilo da carne chegando a R$ 350 no mercado brasileiro.

O motivo, como explica o médico veterinário Marco Aurélio Metidieri, da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, é o marmoreio de gordura presente na carne do animal. “É uma carne com alta quantidade de ácidos graxos insaturados. Isto é, possui uma gordura mais saudável que as tradicionais”, esclarece. Quando assada, a gordura derrete e se espalha entre as fibras da carne, aumentando a suculência e o sabor.

Histórico
A pecuária de corte, voltada para a alta gastronomia, não foi sempre o principal objetivo da raça. Introduzida no Japão, ainda no século II, o Wagyu foi empregado inicialmente como tração animal para o cultivo do arroz. Foi só mais tarde, com a chegada de turistas estrangeiros, que os restaurantes e criadores da região de Kobe perceberam o sucesso da carne e investiram em sua divulgação. Hoje, a marca Kobe Beef se tornou tão popular que no mundo inteiro é entendida como um sinônimo para a carne do animal.

Existem duas principais raças de bovinos japoneses, o Black Wagyu e o Red Wagyu. O surgimento de ambas ocorreu regionalmente, onde cada província realizava cruzamentos e seleção de animais devido aos seus próprios critérios. Cada uma possui suas próprias características, como explica Marco Aurélio. “O Black Wagyu possui um melhor marmoreio na carne. No entanto, o Red Wagyu tem um melhor rendimento de carcaça”. Em média, o lucro do produtor por uma carcaça do animal gira entre R$ 8 mil e R$ 8,5 mil.

A raça chegou há relativamente pouco tempo no Brasil. Os primeiros animais foram trazidos pelo país pelos diretores brasileiros da multinacional Yakult, em 1992. É o que relata Rogério Uenishi, gerente de produção da empresa. “Nosso primeiro presidente da filial brasileira, Teruo Wakabayashi, quis contribuir com o Brasil introduzindo uma raça que pudesse aumentar o melhoramento genético da carne”, relata ele. Investindo na genética do animal, foi só depois de quase dez anos, em 2001, que a empresa abriu espaço para outros criadores começarem a adquirir seus animais.

Mercado
Apenas a genética não é suficiente para que a qualidade da carne do Wagyu se sobressaia no mercado. De acordo com Rogério, apenas a criação a pasto não é suficiente para que se atinja o marmoreio adequado. “A partir de oito meses, o bezerro vai para o confinamento e deve permanecer nele por até um ano e meio”. Essa é a maior dificuldade de quem deseja criar o animal para oferecer um produto de qualidade. Outra dificuldade apontada é o abate. Atualmente, os produtores precisam contratar o abate terceirizado para então vender a carne. “Por isso temos poucos que trabalham com a venda da carne”, relata Rogério. “A maioria cria para vender o animal para produtores maiores, que conseguem investir na cadeia da carne”.

Ainda assim, a carne do animal é bastante procurada no mercado interno – que não consegue suprir a demanda. A Yakult, por exemplo, abate cerca de 50 cabeças por ano. Desta forma, restaurantes e casas de carne especializadas se vêem obrigadas a importar o produto da Autrália, do Uruguai e até da Argentina. Outra opção, quando a demanda é maior, é apostar na criação de animais cruzados com Nelore ou Angus. Restaurantes como o Rubaiyat, que tem a carne de Wagyu no cardápio, serve carne do animal 100% puro apenas durante eventos especiais – como a Feicorte 2011. De resto, o ano todo, a carne é de um animal cruzado com a raça Brangus.

De um animal de 700 kg, é possível tirar 30 kg de contrafilé. Esta é a peça mais procurada, especialmente devido a melhor visualização do marmoreio. O quilo do contrafilé e da picanha do Wagyu, nos pontos de venda especializados, podem sair por até R$ 350.

Mato Grosso do Sul
O empresário Shunji Hisaeda é um dos criadores do Wagyu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Atualmente, de acordo com ele, são 5 mil cabeças – sendo apenas 200 do animal puro. As outras são fruto de cruzamento com o Nelore. “O Wagyu permite a abertura de um mercado extremamente interessante e que tem tudo para crescer ainda mais”. De acordo com ele, a carne do animal está ainda ganhando espaço e reconhecimento no mercado sul-mato-grossense. Um exemplo disso é a parceria com o Big Beef, que promoveu durante os primeiros meses do ano degustações e promoções da carne para familiarizar o consumidor local com esse tipo de carne.

“Em breve pretendemos voltar com a carne, por que já tem muita gente pedindo”, relata Alex Fonseca, diretor de marketing do Big Beef. De acordo com ele, mesmo cruzado com o Nelore, o “kobe beef” ainda se mantém com um sabor fora do comum. “Ainda é impraticável cobrar preços excessivos pela carne no Estado. Nas lojas da Itanhangá e da Mato Grosso, o preço do contrafilé era de R$ 26 e da picanha R$ 52”. Outra novidade que a loja apresentou pelo curto período de tempo foi o hamburguer de Wagyu, bastante apreciado pelos consumidores locais.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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