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Economia e Agro, Matérias

Projeto Pimenta Malagueta

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 27/07/2011

A cultura da pimenta é um mercado que vem crescendo cada vez mais em todo o Brasil, especialmente na agricultura familiar. Com uma produtividade média que – dependendo da região – pode chegar a 10 toneladas por hectare/ano e um preço de mercado girando em torno de R$ 7 o quilo, a comercialização in natura, ou dos inúmeros subprodutos, pode trazer um rendimento considerável para mesmo para o produtor com pouco espaço para plantio.

Foi com isso em mente que o engenheiro agrônomo e instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/AL), Jalme Calheiros, iniciou em outubro de 2009 na comunidade de Pindorama (AL) o Projeto Pimenta Malagueta. A proposta inicial de envolver e integrar no mercado de trabalho os jovens da região deu tão certo no começo que começou a chamar a atenção de toda a comunidade – e mesmo de empresas de fora.

“A média de produção de um pé de malagueta é de um quilo, um quilo e meio por ano. Nós chegamos a tirar seis quilos de pimenta em cada pé”, relembra Jalme. Em junho de 2010, o grupo já havia comercializado 2 mil quilos de pimenta para uma envasadora do grupo Maratá, de Sergipe. A empresa comprava boa parte da produção de pimenta malagueta e jalapenho, pagando valores consideráveis, que de acordo com Jalme chegaram a até R$ 13 no quilo do produto. “Tinha jovem lá que tirava pelo menos R$ 200 por semana”, diz o agrônomo.

Divergências na coordenação e a visualização apenas do lucro degringolaram o projeto no início desse ano. Em março, pragas e fungos levaram a perda total da colheita em Pindorama. Com o desânimo dos jovens participantes, o Pimenta Malagueta como existia encerrou. No entanto, novas estratégias estão sendo traçadas para que a comunidade não saia perdendo.

Malagueta e Jalapeño
As pimentas e pimentões pertencem à espécie Capsicum e são nativas das Américas, se espalhando por todo o mundo com a colonização. No Brasil, a pimenta mais consumida – e conhecida – é a malagueta, famosa por sua ardência característica (ou pungência, como é o termo correto). A jalapeño, por sua vez, é a mais consumida em terras mexicanas e, por seu ardor mais contido e grande quantidade de polpa, é bastante utilizada na culinária do país.

O bom desenvolvimento do jalapeño pede um clima seco, com solo rico em matéria orgânica. A malagueta, por sua vez, tem preferência pelas temperaturas quentes, sendo extremamente vulnerável a geadas ou mudanças climáticas. Desta forma, ambos são de culturas de grande aceitação no nordeste brasileiro.

De acordo com Jalme, existem pequenas diferenças entre o cultivo da malagueta e da jalapenho. A principal é que a primeira é menor, e exige grande emprego de mão de obra para a colheita. “É bastante complicado colher, chega a queimar a mão”, relata o agrônomo. Já a mexicana é maior, e não apresenta esses problemas. “No entanto, o valor é pequeno em comparação a malagueta. Na indústria, pagam de R$ 2 até R$ 5”.

Ainda assim, as técnicas de manejo valem para os dois. “É preciso respeitar a época correta dos tratos culturais. Quando isso não acontece, a resposta da planta é imediata”, relata Calheiros. Como a pimenteira tem uma recuperação demorada, muitas vezes medidas paliativas não eram suficientes. Foi o que acabou acontecendo em Pindorama. “Muitas vezes é o próprio homem que, numa prática mal orientada do uso da enxada, fere a raiz da planta e expõe ela a um fungo ou praga. A contaminação acaba se espalhando e o remédio é plantar tudo de novo”, finaliza.

Serviço
Jalme Calheiros – jalmecalheiros@gmail.com

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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