//
Você está lendo...
Economia e Agro

Cruzamento industrial é alternativa rápida e econômica para aumento de produção


Andriolli Costa / Rural Centro

Publicado em 03/05/2013

Foto: Thaiany Regina / Rural Centro

A demanda mundial por proteína animal é crescente e propostas para o aumento da produção motivam cada vez mais pesquisas, eventos e projetos. No Tocantins, onde o rebanho de cerca de 8 milhões de cabeças ainda se mostra insuficiente para abastecer os frigoríficos locais, a aplicação adequada de tecnologias, técnicas de manejo e gestão e a reforma das pastagens se apresentam como possíveis soluções – a médio e longo prazo – que podem trazer novas perspectivas para a pecuária local.

Para o zootecnista Alexandre Zadra, no entanto, o cruzamento industrial pode ser uma alternativa mais ágil. “Hoje em dia a gente não pode ficar bobeando. Temos que fazer carne rápido, porque assim se maximiza por tempo o uso da terra”. A conta é a seguinte: selecionando as características mais adequadas de duas raças diferentes, têm-se um animal com eficiência bioeconômica superior, com maior metabolismo e ganho de peso. “Basicamente a mesma quantidade de comida que você daria para um Nelore comum em três anos, você poder fornecer a um cruzado e ele terá o mesmo acabamento em dois”. Caso haja alimento disponível para os animais neste período, ele calcula: “Temos a capacidade de aumentar em 50% a produção de carne apenas fazendo o cruzamento industrial”.

Zadra, que ocupa o cargo de supervisor técnico da CRI Genética em estados do Centro-Oeste e Norte do País, afirma que sem qualquer outro investimento na propriedade – apenas manejo adequado – é possível ter um ganho de 20% na renda imediata com o animal cruzado. Ainda assim, a incorporação de outras medidas pode colaborar bastante com o resultado final. “O animal cruzado anda muito bem com o confinamento estratégico”, ressalta. “Ao sequestrar o gado na época da seca, no pior momento do desenvolvimento da planta e quando ele está comendo muito, você consegue manter o ganho de peso e dar o acabamento exigido pelo frigorífico no animal inteiro”.

Sem o confinamento, animais que não são terminados antes da seca perdem peso e precisam de mais oito a dez meses para atingirem o acabamento mínimo, sendo abatidos com 30 meses quando poderiam tê-lo sido com 22. “Hoje o custo do pasto é de R$ 30, R$ 35 por animal ao mês”, estima Zadra. “Se você termina seis meses antes, está acelerando a produção e poupando dinheiro”.

Resistência
Quando a Clivar Reprodução Bovina iniciou suas atividades no Tocantins, seis anos atrás, realizava cerca de 2 mil inseminações, sendo quase a totalidade feita com sêmen Nelore. Hoje, das 12 mil inseminações, cerca de 80% envolvem cruzamento industrial, especialmente Angus. Danilo Pincinato, diretor da empresa, é um grande incentivador dos animais cruzados e acredita que é possível dobrar até o próximo ano a procura pelo cruzamento dirigido. No entanto, ainda há empecilhos para a plena aceitação da técnica.

“O produtor no Tocantins ainda é muito tradicionalista. Ele quer ver o bezerro branquinho. Quer Nelore puro sangue. Ainda há muita falta de divulgação dos benefícios do cruzamento industrial”. Entre os benefícios, Pincinato destaca a precocidade da fêmea – que é capaz de emprenhar seis meses mais cedo que uma nelore – melhor padronização e rendimento de carcaça e ganho de peso. “Ele vai sair da desmama mais pesado que o Nelore, e vai responder melhor a uma suplementação nutricional”.

Alexandre Zadra reconhece a rejeição dos animais cruzados, mas esclarece. “Isso acontece porque a grande maioria dos produtores do Tocantins são vendedores de bezerros e para muitos o bezerro branco é o mais adaptado”. O zootecnista defende que nenhuma raça é perfeita e, ao promover a heterose dos genes mais adequados, é possível dar origem a um animal com padrões superiores, especialmente em qualidade da carne. “Pode haver rejeição, mas quem é que faz o mercado?”, pergunta ele. “Quem faz é quem compra o boi. A partir do momento que os programas dos frigoríficos começarem a premiar carnes de qualidade também no Tocantins, o caminho do cruzamento é certo”.

O diretor da Clivar concorda com as perspectivas de Zadra sobre a necessidade de um preço diferenciado em favor da qualidade da carne. E acrescenta “É importante haver mais treinamentos, palestras e investimento dos fornecedores – centrais de inseminação e frigoríficos – no incentivo à produção deste animal. Assim, se informa e incentiva o produtor dos seus benefícios”.

Com o objetivo de colaborar com a difusão de informação, Zadra apresenta a palestra “A cria planejada – cruzamento dirigido”, durante uma das etapas do Circuito Feicorte NFT 2013. O evento, que acontece em Palmas/TO nos dias 06 e 07 de maio, é uma iniciativa da Agrocentro em parceria com a NFT Alliance e busca estimular a cadeia produtiva da carne oferecendo perspectivas e possibilidades. “Aliado ao confinamento, que vem se alastrando pelo estado e, sobretudo o aumento da capacidade de abate, o cruzamento industrial será a nova fronteira para a produção de animais precoces e eficientes a fim de atender a demanda crescente da exportação e mercado interno”, finaliza.

Anúncios

Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Twitter

%d blogueiros gostam disto: