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Economia e Agro, Matérias

Qualidade na carne é caminho sem volta para produtores e indústria


Andriolli Costa / Rural Centro

Publicado em 08/05/2013

Foto: Andriolli Costa

Cada vez mais engajado em conhecer a procedência do seu alimento, o consumidor hoje exige uma carne com “nome e sobrenome”. A afirmação é do representante da Marfrig, Maurício Manduca, fazendo referência às crescentes demandas por uma carne rastreada, que respeite o bem-estar animal e do trabalhador e com garantias de sua qualidade. Esta, inclusive, é a palavra de ordem do dia. “A produção de carne de qualidade é um caminho sem volta”, prevê.

Manduca apresentou a palestra “Produção de carne de qualidade sob a visão da indústria” em Palmas, no Tocantins, durante o Circuito Feicorte NFT 2013. Para a audiência de cerca de 800 espectadores, ele apresentou as dificuldades e potencialidades em investir num mercado consumidor exigente, que por outro lado não se importa em pagar a mais por um produto que atenda suas necessidades. “Hoje o Brasil ainda produz carne como commodity. No futuro, se deixará de produzir assim para investir no valor agregado”.

Professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Pedro de Felício – que também palestrou no dia – relembra os dados do USDA (United States Department of Agriculture) que trazia previsões de que a Índia ultrapassaria o Brasil em exportação de carne bovina ainda em 2013. “O Brasil é líder no setor desde 2004. Não seria bom parar de correr atrás do primeiro lugar e mudar para agregar valor?”. O investimento na produção de qualidade poderia ser um caminho possível. Mas de qual qualidade estamos falando?

O pesquisador leva em conta as características que são valorizadas em carnes premiadas no mercado norte-americano, “que agradam o mercado coreano e que se supõe agradar o mercado chinês”. E é enfático: “lá fora, carne de qualidade é 0% zebu”

De acordo com o IBGE, o rebanho brasileiro é composto por 212,8 milhões de cabeças, sendo 80% de gado zebuíno. Felício compreende essa realidade. “O zebu é o rebanho do Brasil. É o ideal para o nosso clima e as nossas condições”. O cruzamento industrial com raças taurinas melhoram os índices de maciez, palatabilidade e marmoreio do Nelore, mas para o Felício esta ainda não é a resposta.

“O primeiro item para a produção de uma carne de qualidade é a sanidade do rebanho, mas logo abaixo está o nível técnico da indústria frigorífica”. De acordo com ele, é possível dar um grande salto qualitativo verificando elementos como o abate de maneira correta, a aplicação de estímulos elétricos (“400 volts por 30 segundos”), refrigeração adequada e maturação durante 14 dias.

Qualidade para quem?
Durante o debate que se seguiu às apresentações, os palestrantes foram questionados por produtores rurais do Tocantins sobre a falta de estímulos para a produção de qualidade oferecida pelos frigoríficos, que sempre compram tanto top de linha quanto de piores acabamentos pelo mesmo preço. Maurício Manduca, da Marfrig, respondeu que o frigorífico pode premiar algumas cabeças com um preço maior pela arroba, mas relembrou: “Não adianta produzir só um. É preciso manter um padrão, volume e regularidade na entrega. Isso é o que oferece credibilidade e permite a negociação”.

O Marfrig Club, sistema de bonificação da empresa, funciona dessa maneira. Englobando parcerias com as marcas Angus, Nelore Natural e Pampa (Hereford e Braford), oferece garantia de compra estabelecida por contrato, classificação de carcaça certificada e adiantamento financeiro para uso de tecnologia e acerto na performance. “O objetivo é produzir carne superior, a premiação é só o resultado pela qualidade”, afirma Manduca.

Pedro de Felício acredita que “aparentemente o caminho é o das marcas e do protocolo de atendimento para abate”, e por isso acredita numa produção de qualidade sob medida. Ainda segundo ele, uma alternativa para fazer a produção ser reconhecida é a busca por padronização dentro de associações, permitindo a comercialização em grandes volumes – possibilitando assim uma melhor negociação com o frigorífico.

Circuito Feicorte
As palestras de Maurício Manduca e de Pedro de Felício ocorreram durante a Etapa Palmas do Circuito Feicorte NFT 2013, que ocorreu nos dias 6 e 7 de maio. A iniciativa da Agrocentro em parceria com a NFT Alliance busca divulgar tecnologias e experiências para a cadeia produtiva da carne em todo o Brasil. O circuito, que já esteve em Cuiabá (MT), segue para Campo Grande (MS) em 30 e 31 de julho, Ji-Paraná (RO) em 03 e 04 de outubro e Paragominas (PA) nos dias 07 e 08 de novembro.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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