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Economia e Agro, Matérias

Sistema de Irrigação Evita Doenças em Gado Confinado


Andriolli Costa / Rural Centro

Publicado em 07/05/2013

Foto: Divulgação

A produção em confinamento é vista como uma alternativa promissora para a pecuária do futuro. Isso porque, por meio dela, é possível atingir elevados níveis de produtividade com menor uso do solo, alcançando a eficiência exigida pelas crescentes demandas de mercado. No entanto, criar o gado em espaços menores, bem diferente da extensão do pasto, exige tratamento diferenciado e maior atenção aos detalhes. Um deles, e que muitas vezes poderia passar despercebido pelo produtor, é o controle da poeira.

“O excesso de poeira em espaço reduzido traz muitas complicações para o animal, especialmente de ordem respiratória”, expõe Genildo Rocha, diretor da Rocha Irrigações. Para lidar com a pecuária, a empresa que leva seu sobrenome especializou-se em desenvolver projetos hidráulicos que promovem a aspersão de água controlada e direcionada para os piquetes.

Um dos projetistas do empreendimento é Tiago Fernandes, que elenca os benefícios da técnica. “Com a aspersão, é possível aumentar a sensação de conforto do animal, a salubridade do ambiente para o trabalhador – que muitas vezes precisa de máscara para fazer o manejo – e sem falar para o entorno da fazenda”. E continua: “Essa ação também diminui até quase zero casos de doenças respiratórias”.

Segundo ele, é difícil mensurar um valor médio par a instalação do projeto, pois depende das condições de cada ambiente, mas que a quantia gira em torno de R$ 12 e R$ 16 por animal, com supervisão técnica. O investimento também se justificaria pela melhora no desempenho do ganho de peso em um gado confinado sem o estresse de um ambiente de calor e excesso de poeira. “Já acompanhamos casos em que o ganho de peso aumentou em 450g por dia”, relembra.

Foto: Andriolli Costa

Doenças Respiratórias
A distribuição da água pelos aspersores é feita por lâminas e em tempos controlados. Tudo isso para evitar não apenas a poeira, mas também a lama. “Bovino não é búfalo”, alerta o professor da USP e UNESP, Mateus Paranhos. “Ele não gosta de lama, ele evita a lama. Fica estressado, não quer estar ali”. Em sua palestra durante o Circuito Feicorte NFT 2013, em Palmas, Tocantins, Paranhos apresentou situações de grande dificuldade para o animal tanto quando este se encontra confinado em ambientes secos, como quanto se encontram em locais excessivamente molhados.

No seco, foram medidas as quantidades de espirros, tosses, corrimento ocular e nasal. No outro, foram identificados casos de bronquite, enfisema pulmonar, cisto urinário e pneumonia. Há uma relação direta também entre os espaços disponíveis para confinamento e os problemas respiratórios. “Nos animais que estavam com até seis metros de espaço entre si, a incidência de doenças foi muito maior do que os distantes 12 ou 24 metros”, expõe Paranhos.

O veterinário e gerente de marketing da Ourofino Agronegócios, Marcus Buso, esclarece. “Como as doenças se transmitem por vias aéreas, quando um animal manifesta, cerca de 7% da produção pode estar infectada. Dependendo do caso, até 30%”. O tratamento é possível utilizando agentes bacteriostáticos, impedindo o desenvolvimento das bactérias com anti-inflamatório para ajudar na melhora do tecido respiratório sem a formação de pus. “Nesses casos, o período de carência é de 28 dias para gado de corte e três dias para o leiteiro, para que os resíduos do produto deixem o animal sem prejudicar o consumo”, afirma ele.

Circuito Feicorte
Tanto a Rocha Irrigações como a Ourofino apresentaram seus produtos durante a Etapa Palmas do Circuito Feicorte NFT 2013, que ocorreu nos dias 6 e 7 de maio. A iniciativa da Agrocentro em parceria com a NFT Alliance busca divulgar tecnologias e experiências para a cadeia produtiva da carne em todo o Brasil. O circuito, que já esteve em Cuiabá (MT), segue para Campo Grande (MS) em 30 e 31 de julho, Ji-Paraná (RO) em 03 e 04 de outubro e Paragominas (PA) nos dias 07 e 08 de novembro. Os expositores apresentarão seus trabalhos em todas as etapas do circuito.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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