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Economia e Agro, Matérias

Tecnologia de suplementação a base de melaço de cana chega ao Brasil

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 18/06/2013

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Chega oficialmente ao Brasil nas próximas semanas uma tecnologia de suplementação animal baseada no melaço da cana-de-açúcar, e não no sal mineral. Ainda que novidade no País, o produto, conhecido como MUB, já é utilizado nos Estados Unidos há mais de 35 anos. O lançamento oficial ocorreu hoje, durante a 19ª edição da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte 2013), em São Paulo. O Brasil é o primeiro a desenvolver o produto fora do território norte-americano.

No entanto, a própria utilização do melaço não é exatamente uma novidade. Em países como Austrália, Coreia, Chile e nos próprios EUA, o melaço já era utilizado em conjunto com a suplementação animal para melhorar a digestibilidade em pastagens de baixo valor nutricional. O problema, no entanto, é que a substância é facilmente diluída pela água, não suportando a incidência de chuvas. Esta é justamente a diferença do MUB; ser totalmente impermeável. E daí que surge o próprio significado da sigla: “Mistura de Umidade Baixa”.

Gerente executivo da MUB Brasil, o chileno Maurício Hinostroza acompanhou por oito anos o uso do produto em propriedades norte-americanas. “Nós utilizamos melaço desidratado, o que gera 100% de matéria seca. Além disso, é o uso do óleo vegetal que torna o produto a prova de água”. Essas propriedades também fazem com que a mistura não possa ser ingerida ou mastigada, apenas lambida.

O produto dispensa o uso do cocho. É disposto em baldes, que podem ser facilmente espalhados pela pastagem, o que promoveria um uso do pasto mais homogêneo. “Se você tem um cocho perto da água, o animal vai concentrar a pastagem perto dali. Com o MUB você pode movimentar os animais para onde você quiser”, esclarece Hinostroza. Cada base de 50 kg pode abastecer até 30 animais, com uma distância de 10 a 15 metros entre cada balde.

Há duas linhas para o produto: o verde, com 10% de proteína e indicado para os períodos chuvosos, e o amarelo, com 35% de proteína na composição para períodos de seca, quando a demanda energética é maior. Ainda que atrativo para o gado o animal não será capaz de consumi-lo a mais do que o necessário. O motivo é a adição de uma substância adstringente, que causa um gosto de banana verde na boca da vaca que lambê-lo demais.

Experiência internacional
ImagemDurante o mês de maio um grupo de nove pecuaristas brasileiros foram convidados pela empresa para conhecer o uso do produto em propriedades no Texas, nos Estados Unidos. Entre eles estava o produtor rural Antônio Campanelli que já encomendou o primeiro carregamento que deve chegar nos próximos dias. “Nós vamos buscar orientação da própria empresa para fazer um teste. Queremos dividir os animais e testar parte com a suplementação com MUB, parte com a que já utilizamos na fazenda e parte sem qualquer suplementação. Assim, poderemos verificar os índices de ganho de peso e rendimento”, relata.

Para Campanelli, o que mais chama a atenção no produto é a palatabilidade do melaço, que permite mascarar elementos dietéticos de baixa ingestão, como medicamentos, aditivos, vitaminas e minerais. “No Texas, eles vinham de uma seca muito pesada e o produto era usado em conjunto com o feno. Os animais estavam num estado de saúde muito interessante”. Segundo a empresa, o melaço melhora a fisiologia do rumem. Estimula o crescimento e a atividade bacteriana, melhorando o aproveitamento dos nutrientes.

Antônio Campanelli acredita que o futuro exige da pecuária o desenvolvimento de novas práticas e tecnologias para que esta se mantenha competitiva.“A pecuária como fazemos hoje no Brasil está superada. Precisamos investir mais em melhoramentos tanto na parte genética como na alimentar. A concorrência é grande e as margens cada vez mais achatadas”. Para ele, buscar constantemente novas tecnologias pode trazer a solução da produtividade.

Serviço
A 19ª Feicorte acontece até o dia 21 de junho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A MUB Brasil apresenta seus produtos em um estande durante todos os dias do evento. A entrada é gratuita.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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