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Economia e Agro

Desaceleração trará oportunidade para agronegócio, diz Meirelles

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 21/06/2013

Henrique Meirelles

Após três dias de valorização, mesmo com a intervenção do Banco Central, o dólar americano subiu novamente. Atualmente na casa dos R$ 2,27, a cotação do câmbio é a mais alta dos últimos quatro anos. O fato ocorreu após o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, confirmar que pretende diminuir seus estímulos monetários. A medida movimentou os mercados, que já se prepararam para reduzir suas compras, o que levou ao aumento da moeda.

É com este cenário, e tendo em vista a desaceleração constante na economia mundial desde 2010, que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, palestrou sobre os riscos e oportunidades para o agronegócio durante a Feicorte 2013, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne. “Após uma forte recuperação em 2010, num período pós-crise, o crescimento econômico vem caindo ao longo dos anos. O Brasil segue essa trajetória de queda. A economia cresceu apenas 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado”, expõe.

No entanto, ainda que com números menos expressivos, foi o agronegócio que conseguiu elevar o País a estes valores. De acordo com o IBGE, enquanto o setor de serviços apresentou uma queda razoável, com recuperação no final de 2012 abaixo da média (2,74%), e o da indústria, que chegou a atingir índices negativos em 2011, o PIB do setor agrícola cresceu 9,7% em relação ao trimestre anterior. Foi o maior número desde 1998.

“É claro que a desaceleração da economia afeta negativamente a todos os setores, inclusive o agronegócio, mas existem outros fatores que trabalham no sentido positivo”, relata Meirelles. Um deles seria exatamente a taxa de câmbio valorizada, que permite maior lucratividade para setor. Ainda que as pessoas passem a comprar menos, a demanda mundial por proteína – animal ou grãos – é crescente, e por isso não deve prejudicar as exportações. “Veja o exemplo da China. Em 1999 a 2001 o consumo per capita de carne bovina no País era de 12,9 kg por ano. Hoje esse mercado já consome 19 kg e a expectativa é que até 2030 cada chinês consuma 42 kg”.

Demandas do Agronegócio
Ainda segundo ele, mercados que antes eram muito fechados para importação hoje precisam abrir as portas. O Japão por exemplo sempre defendeu muito o agricultor, impedindo a entrada de alimentos de fora do País. “No entanto, o preço da comida neste País é altíssimo, e eles vão precisar das importações brasileiras.” Com tais níveis de exigência, os governos seriam levados a reconhecer e corrigir os gargalos do agronegócio brasileiro que precisam ser sanados para que o setor se desenvolva.

O comentarista de agronegócios do Canal Rural, Miguel Daoud, que participou da palestra de Meirelles, afirma que as saídas são teoricamente viáveis, mas é na hora da colocar as soluções em prática que se tromba com as maiores dificuldades. “O produtor vive com a espada na cabeça por causa das constantes invasões de terra. É preciso mais esforço da política agrícola brasileira”. Para Daoud, o país não tem projeto de nação, mas projeto de poder.

Por sua vez Ivan Wedekin, diretor de commodities da BM&FBovespa, defende preciso urgência para atender a essas demandas para o bem do próprio País. “Nos últimos dias temos visto várias manifestações exigindo hospitais e escolas padrão Fifa. Devemos também exigir infraestrutura, rodovias e portos padrão Copa do Mundo”, finaliza.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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