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Economia e Agro

Pecuária do futuro demanda alta produtividade, integração e sustentabilidade

Autor: Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 26/06/2013

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A busca pela valorização da produção é uma necessidade constante da pecuária mundial. Com as margens de lucro cada vez mais estreitas, o pecuarista se vê em um cenário onde os espaços disponíveis para a atividade são restritos – ocupados em grande parte pela produção agrícola – ao mesmo tempo em que a demanda por proteína animal é crescente. A aposta em raças diferenciadas, cruzamentos industriais e diversos sistemas tecnologia de produção são os diferenciais que pautam no presente aquilo que vai se tornar a pecuária do futuro.

Mas quais serão as características dessa pecuária? De acordo com o consultor em agronegócios Francisco Villa, para se pensar no futuro é preciso antes ter em mente o seu passado. “Como era a sua propriedade 10 anos atrás? E 20 anos?”, propõe ele na palestra que ministrou durante a Feicorte 2013, a 19ª edição da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, que ocorreu na semana passada. O próprio Villa responde, lembrando que atualmente estamos no terceiro ciclo da pecuária brasileira.

O primeiro ciclo, que se estendeu de 1970 a 2000, era o da expansão de terras e dos rebanhos, sem necessariamente a preocupação com qualidade ou produtividade. A partir de 1990 já se começa a entrar na segunda fase, em que a preocupação era a intensificação do sistema produtivo e a tecnificação – modelo este que seguiria até 2015. A terceira fase, no entanto, teria iniciado ainda em 2010, contemplando a integração da cadeia produtiva e a governança através de programas de fidelidade.

“Antigamente era o proprietário quem escolhia a raça e o sistema produtivo. O frigorífico transformava animais não padronizados e o consumidor comprava o que encontrava no mercado”, relembra ele. “No futuro quem manda é o consumidor. Ele define o que prefere e exige qualidade. O frigorífico encomenda e o produtor deve fornecer animais com qualidade, sanidade, regularidade e preço”. Para Villa, o futuro está na integração da cadeia produtiva com a indústria e com o varejo, para dar segurança e padrão, evitando que a atividade simplesmente reaja a subidas e descidas do mercado.

Representante do varejo, Vagner Giomo é gerente de desenvolvimento de produtos no grupo Pão de Açúcar e apoia a proposta da integração. “O controle da qualidade dos alimentos não é mais uma responsabilidade restrita aos órgãos públicos e de proteção ao consumidor”, defende. Em nome da competitividade, todos os membros da cadeia produtiva devem buscar o fornecimento de produtos de qualidade. “Assim, é possível desenvolver a cadeia produtiva, oferecer controle de rupturas no padrão, diminuir devoluções e reduzir quebras de contrato. Garantimos assim satisfação e segurança aos nosso clientes”.

O Pão de Açúcar trabalha hoje com o programa Qualidade Desde a Origem (QDO), que se baseia em cinco pilares: auditoria de fornecedores, análise de resíduos, análise microbiológica, inspeção de qualidade e rastreamento. No ramo de carnes, o projeto é desenvolvido com o cruzamento industrial da raça Rúbia Gallega, que aposta no mercado de carnes magras de alto padrão (como a do Simental). O gado é abatido entre 10 e 16 meses, em um sistema produtivo intensivo, mas sustentável.

A sustentabilidade também é um valor apontado por Roberto Risolia, gerente de pastagem da Dow AgroSciences. Segundo ele, ser sustentável não está ligado somente ao meio ambiente; é preciso também vincular o desenvolvimento social e econômico para tornar o projeto viável. Assim, uma pecuária rastreada e ecologicamente correta, com integração com lavoura ou floresta, pode ser um bom caminho para o futuro, desde que atinja os valores necessários para suprir o investimento.

Mais do que isso, a produtividade também é importante. “Hoje a lotação dos pastos no Brasil é de 0,5 unidade animal por hectare. Se conseguirmos duplicar essa capacidade, subindo para 1 UA/ha, já é possível liberar uma área de pastagem na ordem de 68 milhões de hectares”. O número, de acordo com ele, seria superior a toda a área plantada dos cultivos sazonais e perenes, que gira em torno dos 60 milhões de hectares. “A pecuária do futuro é a que produz comida. E produz de maneira eficiente”, finaliza.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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