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Filosofia e Sociologia, Matérias

Pablo Beneito: Ibn’Arabi e a perfeição do ser

O filólogo Pablo Beneito Arias traça o percurso do pensamento do pensador Sufi e evidencia a relação do homem com a busca por Haqq

Autores: Andriolli Costa e Márcia Junges
Tradução: André Langer
Revista IHU On-Line 435
Publicado em 16-12-2013

gardenmidstflames03Nascido em Múrcia, no atual território espanhol, em 1165, o sufi Ibn’Arabi é considerado um dos maiores mestres do pensamento místico islâmico, tendo desenvolvido trabalhos não apenas voltados para comentários do Corão ou das palavras de Maomé, mas também sobre jurisprudência, teologia, filosofia e misticismo. Ainda durante a adolescência passou por uma conversão “pelas mãos de Jesus”, o que levou há uma abertura de sua alma para a compreensão do reino do divino. O filólogo e pesquisador do sufismo Pablo Beneito Arias traça um percurso pelo pensamento de Ibn’Arabi. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, ele esclarece parte dos conceitos do pensador, que também é conhecido por promover a ligação entre o catolicismo e o islã. “Ibn’Arabi propõe que o ser humano é a pupila do olho com que Deus contempla sua criação. Realizar a perfeição é transformar-se em visão divina, tornar-se olho e olhar de Deus. Enquanto microcosmos, o ser humano perfeito, ou o homem universal, é a síntese do macrocosmos”, pontua.

Uma das chaves do pensamento de Ibn’Arabi é o conceito de Haqq, que significa verdade, real, apropriado. “Ibn’Arabi chama, com frequência e assim como outros sufis, Deus pelo seu nome al-Haqq, a Verdade, a Realidade”. Um dos conhecidos trechos do Alcorão afirma que “(Não há) nenhum deus além de Allah”. Sendo Allah o nome dado para o Deus único, implica-se a ideia de que não existe nada verdadeiramente real além do Real. Compreender esta noção, na teologia islâmica, é chamado de “tawhîd”, ou “o reconhecimento da unidade divina” e é considerado um dos três princípios da fé. Buscar Haqq seria o caminho dos filósofos, que é o de compreender a realidade, a verdade e o divino.

“Na economia espiritual do universo, há duas formas bem diferenciadas de perceber a realidade: a visão daqueles que só reconhecem o que percebem com a vista exterior no domínio do contingente e a visão daqueles que são dotados da faculdade da desvelação, graças à qual reconhecem a realidade essencial daquilo que contemplam”, afirma Beneito. “A visão com o ‘olho do coração’ permite aos contemplativos adentrar no mundo das imagens subsistentes, no mundo mais sutil da Imaginação criadora, que não é limitada pela linearidade espaço-temporal nem pela causalidade mecânica e que dá um conhecimento mais direto das realidades espirituais”.

Pablo Beneito Arias é doutor em Filologia Árabe pela Universidad Complutense de Madri. Foi professor titular de Estudos Árabes e Islâmicos na Faculdade de Filologia da Universidade de Sevilla entre 1999 e 2008. Atualmente é professor titular do Departamento de Tradução e Interpretação da Faculdade de Letras da Universidade de Múrcia. Como especialista no estudo do pensamento islâmico e do sufismo, foi professor convidado de diversas universidades, incluindo a Universidade Federal de Juiz de Fora. É autor, entre outros, de Ibn’Arabî y otros autores: La taberna de las luces (ERM, Murcia, 2004) e El Lenguaje de las alusiones: amor, compasión y belleza en el sufismo de Ibn’Arabî (ERM, 2005).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que podemos entender por ser humano completo a partir das ideias de Ibn’Arabi?

Pablo Beneito – A noção de ser humano completo ou perfeito (insānkāmil) em Ibn’Arabi  pode ser abordada a partir de diferentes perspectivas complementares. Adão foi criado à imagem de Deus. Todo ser humano descende dessa forma adâmica prototípica e participa, portanto, em potência, da imagem divina original. Realizar a perfeição humana consiste, assim, em restaurar esse teomorfismo primordial em virtude do qual o ser humano sabe, segundo se lê no Corão, os nomes de todas as coisas. O ser humano é a finalidade, o sentido último da criação, pois tem a capacidade de conhecer, atualizar e integrar harmonicamente a totalidade dos atributos divinos, o que constitui sua perfeição. O ser humano viaja pelas moradas da teo-mímese, imitando as qualidades divinas, até alcançar a estação da teosis, na qual se revela sua condição essencial.

Os seres humanos perfeitos por excelência são os profetas e santos amigos e próximos de Deus, cujo modelo mais completo é Maomé , cuja mensagem integra a totalidade das palavras reveladas. Ibn’Arabi propõe que o ser humano é a pupila do olho com que Deus contempla sua criação. Realizar a perfeição é transformar-se em visão divina, tornar-se olho e olhar de Deus. Enquanto microcosmos, o ser humano perfeito, ou o homem universal, é a síntese do macrocosmos. Enquanto escrita, pois toda a existência é uma escrita de sinais divinos que deverão ser decifrados, o ser humano perfeito é a síntese do Livro revelado. Realizar a perfeição é, nesta perspectiva, atualizar no coração, capaz de acolher todas as formas, a consciência de si mesmo enquanto síntese do cosmos e do Livro. Por outro lado, o aperfeiçoamento espiritual consiste em liberar o coração de véus, ataduras ou fixações, pela prática da cortesia, para que acolha com amor a totalidade dos Nomes e as manifestações divinas que lhe são reveladas na incessante renovação do criado, alcançando assim a realização espiritual.

IHU On-Line – Em que sentido esse místico compreende a realização espiritual?

Pablo Beneito – A noção de ‘realização’ espiritual, em árabe taḥaqquq, remete ao conceito de Haqq. Já me referi à realização da condição do ser humano completo. Agora podemos falar da relação entre Realidade (Haqq) e criação/ser humano (khalq). Ibn’Arabi chama, com frequência e assim como outros sufis, Deus pelo seu nome al-Haqq, a Verdade, a Realidade. O termo também se aplica ao Corão, chamado de “a Verdade”, e pode também significar ‘direito’. Por outro lado, o termo khalqse é usado para designar tanto o processo de criação, como o criado em geral ou o ser humano em particular enquanto criação por excelência e finalidade da criação. No sufismo, assim como em outras correntes de caráter místico, o conhecimento superior — que é unitivo e integrador — reside na capacidade de restabelecer na consciência profunda a unidade dos contrários. Deus e a criação se apresentam na dialética criativa dos contrários como polos opostos. Ibn’Arabi, usando a terminologia islâmica em uso, refere-se ao cosmos enquanto criação como “aquilo que não é Deus”. A relação de polaridade se estabelece, pois, entre Ele e não Ele.

Segundo explica em diversas passagens das suas obras, Ibn’Arabi toma de um dos seus predecessores na Via, Ibn’Barrajān de Sevilha , a expressão al-ḥaqq al-makhlūqbi-hi, inspirada por sua vez em diversos versículos corânicos (por exemplo, C. 16:3, onde se diz: “Ele criou os céus e a terra pela Realidade”, ou seja, ‘para’ e ‘por meio de’ a Realidade). A citada expressão, atribuída ao sufi sevilhano, significa “a Realidade pela qual a criação acontece”. Ibn’Arabi trata este termo em alguns contextos como sinônimo de Hálito criador do Omnicompassivo. É a divina Realidade realizando os efeitos de seus Nomes, mostrando-se sob a aparência de criação no espelho do cosmos. Haqq é a Realidade contemplando-se no espelho da criação (khalq), que é apenas seu reflexo. A imagem desdobra-se na percepção, mas a Realidade é apenas uma.

Pois bem, a partir de uma possível perspectiva, a visão tem duas modalidades: a vista física ordinária (basar), exterior, ligada à dimensão criatural da existência fenomênica, e a vista interior ou clarividência (baṣīra), o insight, visão espiritual do coração que é o órgão da Imaginação criativa, visão associada à faculdade da desvelação e capaz de perceber o sentido, a Realidade, o inteligível nas formas sensíveis. O que eu quero mostrar é que, segundo Ibn’Arabi, há, na economia espiritual do universo, duas formas bem diferenciadas de perceber a realidade: a visão daqueles que só reconhecem o que percebem com a vista exterior no domínio do contingente e a visão daqueles que são dotados da faculdade da desvelação, graças à qual reconhecem a realidade essencial daquilo que contemplam. A visão natural dos primeiros, limitada à dimensão da criação enquanto khalq, em que o espaço e o tempo são lineares e tudo está sujeito à causa e efeito, não reconhece a presença da divina Realidade na criação. No entanto, a visão com o ‘olho do coração’, que caracteriza os verdadeiramente dotados de visão interior, permite aos contemplativos adentrar no mundo das imagens subsistentes, no mundo mais sutil da Imaginação criadora, que não é limitada pela linearidade espaço-temporal nem pela causalidade mecânica e que dá um conhecimento mais direto das realidades espirituais. Para além dessa dimensão intermediária do intermundo, a visão interior pode inclusive elevar-se até a contemplação de realidades espirituais supraformais.

Conhecer verdadeiramente a Realidade é, de certo modo, atualizar na visão, na vivência, esta ambivalência da manifestação em virtude da qual o criado é aparentemente criação (khalq), mas essencialmente Realidade (haqq). O discurso racionalista que opera por meio de oposições irreconciliáveis, segundo o qual se algo é isto não pode ser o contrário, não pode por princípio acolher esta concepção mística da união dos opostos, fundamento suprarracional de toda mística.

A vista que percebe apenas a criação enquanto khalq imaginando que se trata de uma realidade autônoma é, para Ibn’Arabi, uma vista velada pelo véu da aparência. É uma vista fixada no reflexo. Mas o khalq não tem existência e realidade própria, já que é uma espécie de projeção evanescente. No entanto, quem pode ver o outro lado do espelho tem uma dupla visão: pode perceber o khalq enquanto khalq, como mundo das distinções e da separação, e pode ao mesmo tempo contemplar a criação enquanto haqq, o mundo enquanto receptáculo da Realidade essencial unifica, isto é, enquanto teofania do Único, lugar de manifestação dos efeitos dos Nomes e Atributos de Deus. Desde esta visão, não há coisa alguma na criação que não seja expressão da Realidade. Cada ser criado é a Unidade do Real, da Verdade divina.

Ibn’Arabi explica que a função do ser humano enquanto véu de Deus, a quem revela e oculta ao mesmo tempo, é precisamente manter o estatuto da ambivalência que caracteriza a criação, que é Ele e não é Ele, é e não é. O ser humano consciente preserva com cortesia espiritual os segredos do mundo da multiplicidade, atendendo às necessidades dos seres criados enquanto criaturas, ao mesmo tempo que com essa mesma cortesia contempla em seu interior a Unidade essencial da Realidade que guia seus atos, sabendo que unicamente Ele se manifesta no criado. O homem, radicalmente transformado pela assunção de sua verdadeira visão, é então a pupila do olho com que Deus se contempla a si mesmo no espelho da criação, o lugar em que Deus se conhece a si mesmo.

Uma fórmula islâmica propõe que a justiça consiste em “dar a cada coisa o haqq que lhe corresponde”, seu direito. À luz do que foi exposto até aqui, pode-se perfeitamente interpretar que a arte por excelência, entre os hermeneutas do Livro da divina Obra, consiste no desenvolvimento da capacidade de conceder a cada coisa o estatuto que, em virtude da sua realidade essencial, isto é, enquanto haqq, lhe corresponde, ou seja, em restituir a cada ser sua condição de nome divino. A realização espiritual (taḥaqquq) consiste então em atualizar a condição essencial de haqq inerente à natureza humana original.

IHU On-Line – Quais são as maiores intuições de sua metafísica do sufismo?

Pablo Beneito – Ibn’Arabi é um dos maiores expoentes da metafísica da Unidade múltipla. Seu pensamento funda-se no princípio da Unicidade essencial do Ser. O Ser é um só, mas Seus Nomes e Atributos são múltiplos, infinitos. O Ser absoluto, incondicionado e ilimitado, tem, no entanto, em sua incomparável transcendência, a capacidade de adotar as formas de todas as determinações da existência, de modo que é ao mesmo tempo transcendente e imanente e, enquanto Manifesto, podemos conhecê-lo positivamente através da sua autorrevelação no criado. Ibn’Arabi remete sempre à Unidade, mas reconhecendo o estatuto da diversidade de suas manifestações que são divinas epifanias. Esta articulação integradora da relação entre a Unidade e a diversidade que conduz o mestre andaluz a afirmar a verdade de todas as crenças é um dos seus grandes ensinamentos. Em qualquer caso, sua ingente obra oferece tão variadas e penetrantes intuições que, para dizer a verdade, não cabe resumi-las nem sistematizá-las.

IHU On-Line – De que forma a mística sufi traz uma iluminação para o ser humano se compreender como parte do Todo, do Universo, e não na condição antropocêntrica em que se compreende nos últimos séculos?

Pablo Beneito – Voltemos ao tema do ser humano completo. Numa perspectiva macrocósmica, todo o universo é um único ser humano: o ser humano universal. Num sentido análogo, Ibn’Arabi explica que todos os seres humanos são partes constitutivas do ser humano completo. Há, pois, uma unidade da humanidade. Diz literalmente: “O cosmos em sua integridade é um único ser humano: este Homem único é o amado e todos os indivíduos do cosmos são os membros ou órgãos deste Homem macrocósmico” .

Numa perspectiva microcósmica, enquanto síntese da existência e ‘cópia’ ou reflexo da Realidade, o ser humano é manifestação do Todo. Assim que é parte indissociável da totalidade e expressão viva da totalidade das partes. Em certo sentido, o cosmos é antropocêntrico, dado que o homem é a finalidade e o sentido da criação. Não obstante, o homem é teocêntrico, pois seu próprio centro, a Kaaba do seu coração, é teomorfo. Como o princípio constante subjacente de todo ensinamento sufi é a Unidade, os sufis vivem com a consciência permanente de que todas as criaturas são expressões providenciais do divino amor, sinais portentosos do Livro aberto da existência.

Pablo-Beneito-en-Jung-Mundo-Imaginal-1IHU On-Line – Em que medida é possível pensar a comunhão do ser com o Universo a partir da mística de Ibn’Arabi?

Pablo Beneito – A comunhão do Ser com o universo, como comentamos antes, pode ser simbolizada com a comunhão que se dá entre quem se contempla em um espelho e seu próprio reflexo. Pois bem, o universo é a manifestação do Ser, mas o Ser, em virtude da natureza misteriosa da sua Essência incognoscível, transcende qualquer determinação, ao mesmo tempo que, como se assinalou, está presente em toda manifestação. O ser humano, por sua vez, contempla-se no espelho do cosmos, que lhe devolve seu reflexo. Toda manifestação procede de uma mesma origem e expressa uma mesma e única Realidade. Amor, amante e Amado são, em última instância, um só.

IHU On-Line – A fragilidade do ser humano é uma categoria importante em seu pensamento? Em que sentido?

Pablo Beneito – Da maneira como se dá em nossas línguas latinas, a ideia de fragilidade não se apresenta como uma categoria particularmente significativa no pensamento de Ibn’Arabi. Categorias muito presentes e significativas que convidam à prática da chamada cortesia espiritual (adab) seriam ‘sutileza’ e ‘delicadeza’. A consciência protetora ou respeito reverente (taqwà) leva a manter uma atitude de escuta sutil e delicada atenção que permitem uma constante adequação interior à manifestação incessantemente renovada da realidade. Por outro lado, a fragilidade, entendida de modo existencial, expressa-se na obra de Ibn’Arabi em termos de insuficiência ou impermanência.

IHU On-Line – Como aparecem a insuficiência e a impermanência humana em Ibn’Arabi?

Pablo Beneito – Ibn’Arabi faz referência frequentemente à absoluta indigência ontológica do ser humano que contrasta, por outro lado, com sua condição de vice-regente de Deus na terra, conhecedor dos nomes de todas as coisas. Carente de autonomia, totalmente dependente da divina Realidade autossubsistente, o ser humano é uma aparência  que, em última instância, não tem verdadeira existência por si mesmo. Sua total necessidade, sua pobreza radical, distingue o servo do seu Senhor. Assim como tantos outros pensadores da koiné mediterrânea, Ibn’Arabi recorre com frequência à imagem do espelho — símbolo da visão de todo o criado e, portanto, de todo processo criador — para significar a relação que guardam entre si as dimensões constitutivas da nossa realidade humana: nossa relação com o Criador e nossa relação com o cosmos. Ibn’Arabi considera a criação como um processo teofânico. Tudo quanto aparece no mundo da manifestação é, em última instância, epifania da divina Realidade ilimitada, absoluta, incondicionada, que tem a capacidade de adotar as formas de todas as determinações da existência ao mesmo tempo que as transcende. Simultaneamente imanente e transcendente, Deus está assim plenamente presente, autorrevelando-se, em todas as coisas por Ele criadas. Assim, Deus é autossubsistente e necessário, ao passo que o cosmos e o ser humano não têm existência própria: só existem em virtude da existência que o Criador lhes confere. Pois bem, o espelho constitui uma imagem privilegiada desta relação de dependência e indigência ontológica: quando a divina Realidade (al-Haqq) se mostra no espelho da criação (al-jalq), o reflexo realiza as imagens dos seres criados; mas, se a Realidade se retirasse e deixasse de se mostrar, a criação desapareceria, pois enquanto mero reflexo não pode subsistir por si mesmo. Tudo é radicalmente impermanente, salvo a divina Realidade que é eternamente subsistente.

IHU On-Line – Qual é o espaço do eu na mística de Ibn’Arabi e como se pode pensar a questão do aniquilamento do ser a partir da experiência mística?

Pablo Beneito – Para Ibn’Arabi todo processo de aniquilamento (fanā’) está sempre e necessariamente acompanhado da consequente subsistência (baqā’). Em última instância o eu limitado do ser humano perfeito aniquila-se na subsistência do Eu Supremo incondicionado, mas esse Eu que adota a forma de todas as determinações mantém a aparência do eu limitado, de modo que o místico fica perplexo na vivência ambivalente das pessoas divinas no mistério do reflexo.

IHU On-Line – Como distinguir a experiência mística presente nas tradições religiosas ocidentais com respeito às religiões do Oriente?

Pablo Beneito – Na minha opinião, não se pode pensar a experiência mística, nem nenhuma outra experiência, com as categorias de ‘tradições ocidentais’ e ‘tradições orientais’, assim como são empregadas em nosso tempo em sentido vulgar, quando se fala de tradições religiosas ou outras. Autores como Edward Said  em sua obra Orientalismo estudaram amplamente o emprego da categoria ‘oriental’ mostrando os prejuízos e reduções que entranha. Judaísmo ou cristianismo são orientais ou ocidentais? Para mim, Oriente e Ocidente só existem como conceitos de certos discursos condicionados. Por outro lado, sem entrar em distinções geográficas, considero que o fluxo de experiências, pensamentos e conhecimentos entre os seres humanos foi tão constante e tão intenso que as diversas tradições estão, em geral, profundamente interconectadas. Para mim é muito esclarecedor estabelecer analogias e comparar tipos de experiências claramente afins entre espiritualidades das mais diversas tradições. Com frequência, vemos que místicos de tradições diferentes participam de uma mesma corrente ou de uma inspiração semelhante e compartilham mais experiências entre si, em virtude dos seus estados, intuições e percepções, do que com outros correligionários do seu entorno.

IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algum aspecto não questionado?

Pablo Beneito – Gostaria apenas, para concluir, de convidar os interessados em saber mais sobre este célebre místico, pensador e poeta do al-Andalus , maior expoente das ciências do sufismo, considerado por seus discípulos intérprete por excelência da revelação e “Selo” da Santidade muhammadi, para ler sobre ele e sua obra no sítio da Muhyiddin Ibn´Arabi Society – Latina (www.ibnarabisociety.es), que inclui um bom número de textos em português.

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Sobre Andriolli Costa

Jornalista sul-mato-grossense em terras gaúchas. Atua principalmente nas áreas de jornalismo científico, cultural, rural e com estudos de Jornalismo.

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