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Fernando Carneiro: Agrotóxicos e agroecologia, paradigmas diferentes em disputa

“Imagina um Brasil que ao invés de 150 bilhões para a produção do agronegócio, destinasse esse valor para a agricultura agroecológica. Isso implicaria numa mudança radical dessa situação. Então, o que precisa é uma mudança política”, afirma o biólogo.

THEMENBILD/ARCHIVBILD: PESTIZIDE / PESTIZIDVERBOT / PFLANZENSCHUTZMITTEL

Por Patricia Fachin e Andriolli Costa
Publicado em 10/05/2015
Instituto Humanitas Unisinos

A nova composição do Congresso Nacional e a chegada de Kátia Abreu ao Ministério da Agricultura estão deixando alguns pesquisadores da área da saúde e do meio ambiente, “preocupadíssimos”. Entre eles, Fernando Carneiro, da Associação de Saúde Coletiva – Abrasco, que atualmente coordena o GT de Saúde e Meio Ambiente da instituição. Segundo ele, as recentes mudanças no quadro político indicam que “as perspectivas de uma desregulamentação na legislação dos agrotóxicos são enormes”. Entre as alterações prováveis, ele menciona a possibilidade de “que se quebre todo o marco regulatório para favorecer a entrada de agrotóxicos no Brasil” e “de que se retire o papel da Anvisa e do Ibama para concentrá-los no Ministério da Agricultura, que já tem o comando do agronegócio”.

Na avaliação do pesquisador, a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura “é uma escolha parecida com a que Lula fez quando escolheu seu primeiro ministro, Roberto Rodrigues. A diferença é que Kátia Abreu é uma liderança com um trânsito político e ela tem projetos que passam desde a privatização da Embrapa, como a negação da reforma agrária como pauta para o país”.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line via Skype, diretamente da Universidade de Coimbra, em Portugal, Carneiro também comenta as reações de resistência da sociedade civil ao uso de agrotóxicos no país. De acordo com ele, “a resistência mais organizada está se dando através da Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e pela Vida, que foi lançada no Dia Mundial da Saúde há três anos, e reúne mais de 200 entidades. Trata-se de uma resistência interessante, uma grande novidade, porque além de reunir movimentos sociais, reúne ONGs e órgãos de Estado como a Fiocruz e o Incra. Essa é uma grande força em termos de uma grande campanha da sociedade civil”.

Fernando Carneiro é é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, especialista em Vigilância em Saúde Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Ciências da Saúde – área de Concentração de Saúde Ambiental pelo Instituto Nacional de Salud Pública de México e doutor em Epidemiologia pela UFMG. Atualmente é Pós Doutorando do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, tendo como orientador o Prof. Boaventura de Sousa Santos.Possui experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em saúde e ambiente e saúde no campo, atuando principalmente junto aos movimentos sociais na luta por melhores condições de vida.

Foi consultor do Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Saúde e servidor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Coordenou a área de Epidemiologia Ambiental da Secretaria de Saúde de Minas Gerais e atuou como Coordenador Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde. Foi professor e Chefe do Departamento de Saúde Coletiva da UnB. Agora é pesquisador da Fiocruz Ceará e do NESP UnB. Atualmente também Coordena o GT Saúde e Ambiente da Abrasco e o Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e das Águas – Teia de Saberes e Práticas (OBTEIA).

Confira a entrevista.

pqfernando_carneiro1IHU On-Line – Existe resistência da sociedade civil aos agrotóxicos? Ela é representativa?
Fernando Carneiro – Existe uma resistência que é histórica do movimento de agricultura alternativa, que foi bastante representativa nos anos 1980, e que gerou a lei de agrotóxico do Brasil, considerada moderna para os parâmetros atuais. A resistência mais organizada está se dando através da Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos e pela Vida, que foi lançada no Dia Mundial da Saúde há três anos, e reúne mais de 200 entidades. Trata-se de uma resistência interessante, uma grande novidade, porque além de reunir movimentos sociais, reúne ONGs e órgãos de Estado como a Fiocruz e o Incra. Essa é uma grande novidade em termos de uma grande campanha da sociedade civil.

IHU On-Line – Por que, mesmo com tal resistência, o país permanece líder no consumo de agrotóxicos?
Fernando Carneiro – Existe uma escolha por parte dos últimos governos, principalmente dos federais, pela opção do agronegócio. Na medida em que prioriza que a balança comercial seja equilibrada pela exportação de commodities, o governo acaba fazendo uma opção pela reprimarização da economia. Isso aconteceu e vem crescendo desde o final do governo Fernando Henrique, governo Lula e Dilma. Esse é um processo muito perigoso, porque há uma desindustrialização e um incentivo a commodities minerais e agrícolas, que têm um valor muito menor na relação de trocas do comércio internacional. Então, o Brasil ficou dependente desse modelo, que é baseado no grande uso de insumos químicos. A própria monocultura é um sistema desequilibrado, que exige muito agrotóxico. Mas muitas pessoas estão ganhando com a implantação desse modelo. Como você pode ver, a presidente da Confederação Nacional da Agricultura hoje é a Ministra da Agricultura. Isso demonstra que pessoas ligadas ao agronegócio já controlam o aparelho do Estado, financiamentos, e aí fica uma luta entre Davi e Golias.

IHU On-Line – Como compreender a escolha de Dilma pelo nome de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura?
Fernando Carneiro – É uma escolha parecida com a que Lula fez quando escolheu seu primeiro ministro, Roberto Rodrigues. A diferença é que Kátia Abreu é uma liderança com um trânsito político e ela tem projetos que passam desde a privatização da Embrapa, como a negação da reforma agrária como pauta para o país. À medida que temos uma ministra que tem colunas em jornais, ela passa a ter uma capacidade de influência maior do que tinha o ministro anterior, que também era ligado ao mesmo setor.

Nos últimos anos a agricultura no Brasil tem sido atrelada ao agronegócio, mas agora chegou ao poder a representante mais poderosa do agronegócio no Brasil.

IHU On-Line – Ainda há falta de informação sobre os danos causados pelos agrotóxicos, que levam a uma maior disposição a aceitar os riscos de seu uso tanto por produtores quanto por consumidores? Como as campanhas agem para resistir ao agrotóxico?
Fernando Carneiro – Circula pouca informação sobre os riscos que os agrotóxicos podem causar. O máximo que já vi na televisão foram orientações sobre lavar as frutas e verduras antes de consumi-las. Mas sabemos que existem agrotóxicos que são sistêmicos e somente a lavagem dos vegetais não é suficiente para eliminar as substâncias tóxicas.

Não há, em contrapartida, por parte do Estado brasileiro, um investimento em campanhas de informação. Quando chega o carnaval, há uma série de campanhas sobre os riscos da Aids, mas nunca existiu uma campanha sobre os riscos do uso de alimentos contaminados por agrotóxicos pelo Ministério da Saúde.

A novidade para este ano é o lançamento de uma cartilha informativa sobre os riscos dos agrotóxicos. Acabei de participar da revisão técnica dessa cartilha do Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos. Esse programa faz parte do Plano Nacional de Agroecologia e quem está conduzindo a elaboração da cartilha é a Articulação Nacional de Agroecologia. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco e a Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz também estão apoiando esse processo de divulgação da cartilha, que será amplamente distribuída no país.

IHU On-Line – A cartilha será divulgada para toda a população, ou inicialmente entre os agricultores?
Fernando Carneiro – Inicialmente a tiragem é da ordem de dez mil cartilhas, e o público inicial serão os agricultores, mas acreditamos que posteriormente ela possa ser distribuída para os profissionais de saúde. À medida que conseguirmos mais apoio, pretendemos ampliar a distribuição.

Study-Links-Pesticides-to-High-Depression-RatesIHU On-Line – Por que o governo, e especialmente a Anvisa, demoram e resistem tanto para banir substâncias que já são proibidos em outros países?
Fernando Carneiro – Essa situação deixa qualquer cientista indignado. As patentes recebem um registro que é eterno, e mesmo quando começa a se levantar evidências de que os agrotóxicos podem causar danos à saúde, as empresas criam dificuldades para dificultar o processo de reavaliação dos produtos que a Anvisa faz. Quando a Anvisa proíbe o uso de alguma substância, as empresas entram na Justiça contra o órgão, ou seja, judicializam os processos, o que os torna ainda mais morosos. Essa tem sido a postura das empresas, o que tem dificultado o trabalho de órgãos como a Anvisa.

Para você ter uma ideia, depois que a Anvisa proíbe o uso de agrotóxicos, o órgão ainda tem de dar um tempo para as empresas acabarem com o estoque dos produtos no Brasil. Isso é contrassenso: se o agrotóxico ser proibido, como é possível permitir que ele ainda seja utilizado no país durante um tempo?

IHU On-Line – Recentemente você declarou que a produção ecológica tem condições de alimentar a população com qualidade. Ao afirmar isso, quer dizer também em quantidade? Em termos de produtividade, o sistema convencional poderia ser plenamente substituído pelo agroecológico?
Fernando Carneiro – Atualmente os eventos nacionais da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) reúnem anualmente mais de 4000 pesquisadores que mostram as evidências da capacidade produtiva da agroecologia. Na verdade estamos falando de uma mudança de paradigma, e não apenas de uma questão técnica, ou seja, estamos falando de uma mudança de modelo que não só não usa veneno, como também distribui melhor a renda e, portanto, promove a equidade social. Se fizermos uma análise como um todo, a agroecologia acaba sendo mais eficiente, porque o agronegócio, para funcionar, precisa, de fato, de financiamentos públicos, e usa uma quantidade enorme de insumos que são responsáveis por 30 ou 40% dos gastos da produção.

Agora, imagina um modelo de agricultura que elimine esse gasto de 40% com agrotóxicos. Há relatórios da ONU para a alimentação que mostram isso. Outro exemplo que nos ajuda a entender essa questão em termos estatísticos é o censo agropecuário do IBGE, que indica que a agricultura familiar já é responsável por alimentar 70% dos brasileiros. Isso demonstra que a produção de alimentos não está associada à produção em larga escala. Tanto que a produção brasileira em larga escala tem servido para alimentar animais na China e nos EUA. Existe aí um discurso falacioso do agronegócio de que eles produzem alimentos para acabar com a fome. Isso é mentira.

IHU On-Line – Frequentemente vinculamos o uso de agrotóxicos aos grandes latifúndios, mas os pequenos produtores também são grandes utilizadores destes produtos, o que se reflete na dificuldade de uma produção agroecológica devidamente certificada. O que falta para que o uso de tais produtos seja minimizado em favor de tecnologias sociais?
Fernando Carneiro – Imagina um Brasil em que o que se investe no agronegócio via Embrapa, fosse investido para desenvolver técnicas para a agroecologia. Imagina um Brasil que ao invés de 150 bilhões para a produção do agronegócio, destinasse esse valor para a agricultura agroecológica. Isso implicaria numa mudança radical dessa situação. Então, o que precisa é uma mudança política.

IHU On-Line – Nos supermercados, consumidores costumam dizer que não optam por alimentos da agricultura ecológica por serem mais caros. O valor agregado de uma produção agroecológica ainda não é percebido?
Fernando Carneiro – Existe um nicho de mercado, que é bastante elitizado, que está presente em grandes redes de supermercados, que faz com que os alimentos orgânicos sejam muito caros. Por isso a nossa recomendação é de que as pessoas procurem as feiras agroecológicas, como as da reforma agrária, e comprem diretamente dos produtores. O Instituto de Defesa dos Direitos do Consumidor – IDEC tem, em seu site, um mapa das feiras agroecológicas do Brasil, no qual o cidadão pode descobrir onde tem uma feira mais próxima da sua casa.

IHU On-Line – Como evitar que o discurso agroecológico, que é essencial, não seja dominado pelo marketing verde – justificando preços muito acima da expectativa para o consumidor final?
Fernando Carneiro – Esse é um risco: a economia verde. Estamos num sistema capitalista que tenta aproveitar todas as chances para lucrar. Muitas empresas de agrotóxicos já estão se preparando para um novo momento e estão diversificando suas linhas de produção para produzir produtos de controle biológico. Então, é importante que esse processo esteja presente nas discussões dos movimentos sociais com a sociedade e a academia para buscar desenvolver tecnologias que ajudem no empoderamento dos produtores e na situação econômica deles, e não criar formas de deixá-los mais dependentes.

O que as grandes empresas criam são tecnologias que fazem com as pessoas fiquem mais dependentes delas. Essa é a grande armadilha da lógica da economia verde. Temos de romper com essa lógica e fazer uma mudança do modelo. Ao invés de concentrar renda e tecnologia, temos de buscar um modelo de agricultura que distribua renda e que faça com que as tecnologias sejam acessíveis. Esse é o caminho para sair do impasse da economia verde.

IHU On-Line – Quais as culturas em que há maior uso de agrotóxicos?
Fernando Carneiro – Nos últimos levantamentos do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos e Alimentos da Anvisa, a cultura que tem sido campeã no uso de agrotóxico é o pimentão, que teve quase 90% de contaminação. Estimula-se que as pessoas comam mais frutas e verduras para evitar o câncer, mas frutas e verduras contaminadas também podem ser fatores de risco para o câncer. Então, esse modelo deixa uma encruzilhada para as populações.

Também tem as culturas históricas, como morango, mamão, tomate, que sempre têm níveis elevados de agrotóxico, que vão variando de ano para ano, com os cuidados que são tomados. Esses dados da Anvisa têm uma alta repercussão no país e inclusive o preço desses produtos acaba sendo reduzido por conta dos dados.

IHU On-Line – Como a legislação que rege os agrotóxicos tende a ser conduzida a partir de agora, com Katia Abreu no Ministério da Agricultura?
Fernando Carneiro – Nós estamos preocupadíssimos. Com o atual Congresso que tomo posse nesta semana, as perspectivas de uma desregulamentação na legislação são enormes. Ou seja, é possível que se quebre todo o marco regulatório para favorecer a entrada de agrotóxicos no Brasil. Existem mais de 17 propostas nesta direção e com a nova configuração do Congresso, nos próximos anos, essa questão será um grande desafio para a sociedade. O próprio presidente da Câmara já é um grande lobista que tem diversos interesses. Infelizmente os prognósticos não são bons: a tendência é de que se retire o papel da Anvisa e do Ibama para concentrá-los no Ministério da Agricultura, que já tem o comando do agronegócio. São propostas desse nível que poderão renascer.

Atualmente, para uma empresa conseguir um registro de liberação de um determinado agrotóxico, os três órgãos devem avaliar o produto: o Ministério da Saúde, o Ministério do Meio Ambiente e a Anvisa. Mas provavelmente vão querer criar uma agência ou uma comissão como a CTNBio – a qual já foi até batizada de CTNAgro -, para que a liberação dos agrotóxicos possa ser feita como é feita a liberação dos transgênicos atualmente, ou seja, concentrada num único órgão. Como você sabe, a CTNBio é um órgão que em toda a sua história, nunca negou a produção e comercialização de transgênicos.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Fernando Carneiro – A novidade é que vamos lançar neste ano o dossiê da Abrasco sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde na forma de livro, com um capítulo de atualização. Esse trabalho envolveu mais de 30 cientistas e movimentos sociais que atuam na temática. Esse será um marco de resistência aos agrotóxicos neste ano por parte da Ciência brasileira.

Esse será um ano em que a sociedade como um todo tem de estar mobilizada, atenta e pronta para pressionar o Estado para que ele cumpra seu papel de proteger o direito à saúde e ao meio ambiente.

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Pecuária do futuro demanda alta produtividade, integração e sustentabilidade

Autor: Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 26/06/2013

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A busca pela valorização da produção é uma necessidade constante da pecuária mundial. Com as margens de lucro cada vez mais estreitas, o pecuarista se vê em um cenário onde os espaços disponíveis para a atividade são restritos – ocupados em grande parte pela produção agrícola – ao mesmo tempo em que a demanda por proteína animal é crescente. A aposta em raças diferenciadas, cruzamentos industriais e diversos sistemas tecnologia de produção são os diferenciais que pautam no presente aquilo que vai se tornar a pecuária do futuro.

Mas quais serão as características dessa pecuária? De acordo com o consultor em agronegócios Francisco Villa, para se pensar no futuro é preciso antes ter em mente o seu passado. “Como era a sua propriedade 10 anos atrás? E 20 anos?”, propõe ele na palestra que ministrou durante a Feicorte 2013, a 19ª edição da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, que ocorreu na semana passada. O próprio Villa responde, lembrando que atualmente estamos no terceiro ciclo da pecuária brasileira.

O primeiro ciclo, que se estendeu de 1970 a 2000, era o da expansão de terras e dos rebanhos, sem necessariamente a preocupação com qualidade ou produtividade. A partir de 1990 já se começa a entrar na segunda fase, em que a preocupação era a intensificação do sistema produtivo e a tecnificação – modelo este que seguiria até 2015. A terceira fase, no entanto, teria iniciado ainda em 2010, contemplando a integração da cadeia produtiva e a governança através de programas de fidelidade.

“Antigamente era o proprietário quem escolhia a raça e o sistema produtivo. O frigorífico transformava animais não padronizados e o consumidor comprava o que encontrava no mercado”, relembra ele. “No futuro quem manda é o consumidor. Ele define o que prefere e exige qualidade. O frigorífico encomenda e o produtor deve fornecer animais com qualidade, sanidade, regularidade e preço”. Para Villa, o futuro está na integração da cadeia produtiva com a indústria e com o varejo, para dar segurança e padrão, evitando que a atividade simplesmente reaja a subidas e descidas do mercado.

Representante do varejo, Vagner Giomo é gerente de desenvolvimento de produtos no grupo Pão de Açúcar e apoia a proposta da integração. “O controle da qualidade dos alimentos não é mais uma responsabilidade restrita aos órgãos públicos e de proteção ao consumidor”, defende. Em nome da competitividade, todos os membros da cadeia produtiva devem buscar o fornecimento de produtos de qualidade. “Assim, é possível desenvolver a cadeia produtiva, oferecer controle de rupturas no padrão, diminuir devoluções e reduzir quebras de contrato. Garantimos assim satisfação e segurança aos nosso clientes”.

O Pão de Açúcar trabalha hoje com o programa Qualidade Desde a Origem (QDO), que se baseia em cinco pilares: auditoria de fornecedores, análise de resíduos, análise microbiológica, inspeção de qualidade e rastreamento. No ramo de carnes, o projeto é desenvolvido com o cruzamento industrial da raça Rúbia Gallega, que aposta no mercado de carnes magras de alto padrão (como a do Simental). O gado é abatido entre 10 e 16 meses, em um sistema produtivo intensivo, mas sustentável.

A sustentabilidade também é um valor apontado por Roberto Risolia, gerente de pastagem da Dow AgroSciences. Segundo ele, ser sustentável não está ligado somente ao meio ambiente; é preciso também vincular o desenvolvimento social e econômico para tornar o projeto viável. Assim, uma pecuária rastreada e ecologicamente correta, com integração com lavoura ou floresta, pode ser um bom caminho para o futuro, desde que atinja os valores necessários para suprir o investimento.

Mais do que isso, a produtividade também é importante. “Hoje a lotação dos pastos no Brasil é de 0,5 unidade animal por hectare. Se conseguirmos duplicar essa capacidade, subindo para 1 UA/ha, já é possível liberar uma área de pastagem na ordem de 68 milhões de hectares”. O número, de acordo com ele, seria superior a toda a área plantada dos cultivos sazonais e perenes, que gira em torno dos 60 milhões de hectares. “A pecuária do futuro é a que produz comida. E produz de maneira eficiente”, finaliza.

Para entender os critérios de qualidade da carne

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 21/06/2013

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Basta ir às grandes redes de supermercado, butiques ou casas de carne para encontrar nas gôndolas diversas marcas e selos de garantia de carne de qualidade. Mas com tantos produtos à disposição do consumidor, fica uma pergunta: afinal, o que é qualidade? É possível que um valor a princípio tão subjetivo quanto este seja medido ou quantificado?

Para Juliana Leite, gerente técnica da Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores a resposta é positiva. A Associação promove avaliação genética, principalmente de reprodutores e matrizes, incentivando o aumento da qualidade e melhoramento genético de quatro raças, sendo o Projeto Nelore o mais antigo, com 25 anos de desenvolvimento. A verificação é dada com base nas DEPs (diferença esperada na progênie), utilizadas para calcular o mérito genético dos animais perante algumas características específicas. No caso da ANCP, estão são: área de olho de lombo, acabamento de carcaça, marmoreio, peso da carcaça quente e peso da porção comestível. Ela esclarece: “a área do olho de lombo é o tamanho do contrafilé, que é diretamente proporcional a produtividade da carne da carcaça toda. Um animal de qualidade precisa ter bom rendimento e ganho de peso”. A gordura também é importante, pois é ela a responsável por dar sabor à peça, e uma carne com pouca gordura será mais dura e mais escura. Também importante atentar-se para dois tipos: a cobertura de gordura, que fica do lado de fora da peça, e o marmoreio, que é a gordura intramuscular. “É essa gordura que é a responsável pela maciez da carne. No zebu ela é muito baixa e varia pouco. Já nas raças britânicas, o marmoreio é muito maior”.

Mas estes não são os únicos valores a serem levados em consideração. Leonel Almeira, gerente de pecuária do Marfrig Group, relata que o frigorífico trabalha com três pilares fundamentais em seu projeto de projeto Quality Club: respeito animal, respeito social e respeito ambiental. “Nós vamos até a propriedade dos nossos fornecedores e iniciamos esse processo de conscientização. Como está a fazenda? Em quais condições os funcionários trabalham? Como está o bem estar animal?”. As orientações são fundamentadas conforme o sistema de produção desenvolvido no local. “Acreditamos que nós somos eficientes em processar, e o produtor em produzir. Só precisamos dar ferramentas para que ele obtenha os melhores resultados”.

Quem se preocupa com qualidade?
Carne angus - andriolli costaJuiana Leite, da ANCP, acredita que todos os pontos da cadeia deveriam se preocupar com qualidade. “Nós trabalhamos na base, melhorando a genética, mas se as outras etapas não tiverem o mesmo cuidado e preocupação o trabalho é todo prejudicado”. A demanda por qualidade, segundo Leonel Almeida da Marfrig, vem do consumidor. “O que a indústria faz é escutar e repassar essa demanda para o produtor, de modo que possa haver uma sinergia nos processos”.

Desta forma, o produtor investe no desenvolvimento de animais de alto padrão e em troca consegue receber um preço maior pela arroba dos animais na hora do abate. O Marfrig trabalha com cotas de premiação para cada produtor. Quanto mais ele cumpre as exigências da avaliação, maior será sua bonificação. Um produtor nível platinum, por exemplo, precisa estar pelo menos 95% adequado, e assim receberá entre 15 e 30% a mais no valor da arroba – diferença referente ao nível de rastreabilidade do animal. Além disso, há também um programa de bonificação por raça, de até 10% a mais.

Nos frigoríficos do grupo JBS, a premiação é de até R$ 8 por arroba pelo boi castrado, que também possui carne mais macia e de maior valor agregado. Eduardo Pedroso, diretor de relacionamento com o pecuarista, alerta no entanto que o produtor constrói aos poucos a situação de bonificação, que envolve inclusive habilitação para importar para a Europa. “Assim como há exigência de regularidade de produção também é preciso que haja regularidade na frequência, para que sempre haja produto disponível no mercado”. O JBS fecha contratos por cotas com grupos e associações. É essa confiança que permite à indústria ativar melhores e mais atrativos canais de venda no food service, de supermercados gourmet à restaurantes e casas de carne.

Ao mesmo tempo em que a indústria busca soluções, os próprios produtores desenvolvem suas próprias iniciativas. É o caso da Associação Brasileira de Angus, que atualmente conta com 18 unidades industriais parceiras que abatem seus animais em sete estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e a parceria mais recente, iniciada nesta quarta-feira (19) em Santa Catarina. Cada um desses frigoríficos tem sua bonificação diferenciada para a carne da raça, que varia em média a 10% para machos e 14% para fêmeas. A Associação possui um técnico em cada uma dessas plantas, que fazem a verificação animal por animal, verificando padrões de corte e qualidade do produto.

Fábio Medeiros, responsável pelo programa de carne certificada da ABA, relata que o sucesso está na verificação de qualidade em todas as etapas da produção. “Qualidade não é responsabilidade somente do produtor. A indústria deve cumprir seu papel de insensibilizar e abater o animal, o varejo de distribuir e o restaurante de servir”. Erros em qualquer uma dessas etapas – seja no supermercado que fornece refrigeração inadequada, seja no restaurante que falha no preparo – podem prejudicar de maneira extremamente negativa a marca da carne.

A estimativa que a Associação de Angus trabalha é que existam 42 mil consumidores brasileiros nas classes A e B, que são possíveis clientes para produtos de qualidade. “É uma conta de padeiro: Anualmente cada brasileiro come em média 40 kg de carne por ano. Se esse público comer 20% disso em carne de qualidade, serão 320 mil toneladas de carne por ano. Não vai haver rebanho para essa demanda. É um mercado que tem muito a crescer”, estima.

Desaceleração trará oportunidade para agronegócio, diz Meirelles

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 21/06/2013

Henrique Meirelles

Após três dias de valorização, mesmo com a intervenção do Banco Central, o dólar americano subiu novamente. Atualmente na casa dos R$ 2,27, a cotação do câmbio é a mais alta dos últimos quatro anos. O fato ocorreu após o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, confirmar que pretende diminuir seus estímulos monetários. A medida movimentou os mercados, que já se prepararam para reduzir suas compras, o que levou ao aumento da moeda.

É com este cenário, e tendo em vista a desaceleração constante na economia mundial desde 2010, que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, palestrou sobre os riscos e oportunidades para o agronegócio durante a Feicorte 2013, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne. “Após uma forte recuperação em 2010, num período pós-crise, o crescimento econômico vem caindo ao longo dos anos. O Brasil segue essa trajetória de queda. A economia cresceu apenas 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado”, expõe.

No entanto, ainda que com números menos expressivos, foi o agronegócio que conseguiu elevar o País a estes valores. De acordo com o IBGE, enquanto o setor de serviços apresentou uma queda razoável, com recuperação no final de 2012 abaixo da média (2,74%), e o da indústria, que chegou a atingir índices negativos em 2011, o PIB do setor agrícola cresceu 9,7% em relação ao trimestre anterior. Foi o maior número desde 1998.

“É claro que a desaceleração da economia afeta negativamente a todos os setores, inclusive o agronegócio, mas existem outros fatores que trabalham no sentido positivo”, relata Meirelles. Um deles seria exatamente a taxa de câmbio valorizada, que permite maior lucratividade para setor. Ainda que as pessoas passem a comprar menos, a demanda mundial por proteína – animal ou grãos – é crescente, e por isso não deve prejudicar as exportações. “Veja o exemplo da China. Em 1999 a 2001 o consumo per capita de carne bovina no País era de 12,9 kg por ano. Hoje esse mercado já consome 19 kg e a expectativa é que até 2030 cada chinês consuma 42 kg”.

Demandas do Agronegócio
Ainda segundo ele, mercados que antes eram muito fechados para importação hoje precisam abrir as portas. O Japão por exemplo sempre defendeu muito o agricultor, impedindo a entrada de alimentos de fora do País. “No entanto, o preço da comida neste País é altíssimo, e eles vão precisar das importações brasileiras.” Com tais níveis de exigência, os governos seriam levados a reconhecer e corrigir os gargalos do agronegócio brasileiro que precisam ser sanados para que o setor se desenvolva.

O comentarista de agronegócios do Canal Rural, Miguel Daoud, que participou da palestra de Meirelles, afirma que as saídas são teoricamente viáveis, mas é na hora da colocar as soluções em prática que se tromba com as maiores dificuldades. “O produtor vive com a espada na cabeça por causa das constantes invasões de terra. É preciso mais esforço da política agrícola brasileira”. Para Daoud, o país não tem projeto de nação, mas projeto de poder.

Por sua vez Ivan Wedekin, diretor de commodities da BM&FBovespa, defende preciso urgência para atender a essas demandas para o bem do próprio País. “Nos últimos dias temos visto várias manifestações exigindo hospitais e escolas padrão Fifa. Devemos também exigir infraestrutura, rodovias e portos padrão Copa do Mundo”, finaliza.

Explosão de selos e marcas de carne de qualidade dão opção ao consumidor

Andriolli Costa/Rural Centro
Publicado em 21/06/2013

Reserva Black Angus da VPJ

“Na minha época, quando se ia comprar carne não tinha muita opção. A gente só pedia por cortes para churrasco, cortes para a panela ou cortes para fritar”, relembra o médico veterinário Fábio Medeiros. No entanto, pouco mais de uma década depois o mercado mudou consideravelmente. Dotado de maior poder aquisitivo e informação, o consumidor se tornou mais exigente, elevando a demanda por um produto confiável e de procedência. E é da necessidade de atender a essas exigências, bem como de agregar valor à produção, que o mercado vê surgir um número cada vez maior de marcas ou selos de qualidade da carne que garantem maciez, sabor e suculência. Com toda uma nova gama de opções a sua frente, o comprador agora precisa escolher o produto ideal não apenas baseado no preparo escolhido, mas também entre raças, idades de abate, modos de produção e coberturas de gordura totalmente diferentes.

O próprio Medeiros é um dos que influenciaram nesta mudança. É ele o responsável pelo programa de carne certificada da Associação Brasileira de Angus (ABA). Criado em 2003, com chancela internacional da AUS Meat, mesmo sem ser o mais antigo o selo é um dos mais conhecidos do País e referência para as demais marcas e associações. Muito da fama da carne vem da força que a marca tem nos Estados Unidos, onde desde 1978 o programa Certified Angus Beef – o primeiro do gênero em todo o mundo – reforça que a qualidade da carne da raça é superior à do gado comum, e que vale a pena pagar mais por isso. No Brasil, a Associação também tomou diversas ações para popularizar a carne; e uma das mais efetivas foi a parceria com a rede de fast food McDonald’s, que já dura um ano e meio. “As pessoas podem não saber por que o hambúrguer de Angus é diferente, mas vão ter a curiosidade de saber por que é diferente”, relata ele. A parceria também oferece uma boa saída para os cortes dianteiros do animal.

O objetivo da Associação é fechar todos os elos da cadeia produtiva da carne. Desta forma, segundo Medeiros, além das tradicionais parcerias entre frigorífico, produtores – que recebem premiações pelos animais de qualidade – e o varejo para a disposição e resfriamento adequado das embalagens de carnes, a ABA também buscou estreitar os laços com o consumidor. Para tanto, desde o final de 2012, oito casas de carne do Paraná passaram a trabalhar exclusivamente com carne da raça. “Existem muitas pessoas que não gostam da carne embalada a vácuo. Preferem a carne fresca, cortada ao seu modo”, esclarece. Em maio, o restaurante Fazenda Barbanegra, de Porto Alegre/RS, adaptou seu cardápio para uma fidelização 100% Angus. “A primeira coisa que fizemos foi realizar um treinamento intensivo com todos do local, do garçom ao proprietário. As carnes nobres possuem cortes diferenciados e o consumidor é ávido por essa informação. Ele quer saber o que é um chorizo, o que ele tem de diferente”.

Mas a novidade mais recente da Associação foi o lançamento durante a Feicorte 2013, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, da reserva especial Black Angus (foto em destaque). Em parceria com a VPJ Alimentos – com quem já trabalhavam na linha tradicional – a Associação fornece somente animais extremamente jovens. “São abatidas apenas fêmeas, pois são mais macias, com até 18 meses de idade e alto grau de marmorização – a gordura entremeada entre as fibras”, explica o veterinário. O conceito inovador se posiciona como um produto de elite dentro de um mercado de elite. A carne vem porcionada e congelada em uma caixa especial com o selo de certificação e embalada em papel manteiga. “É carne para dar de presente”, orgulha-se Medeiros. O preço médio será de R$ 110 o quilo.

Outras experiências


Ainda que o Angus seja o mais conhecido, o projeto de certificação da carne mais antigo do Brasil é da Associação Brasileira de Hereford e Brafford. O superintendente do programa de certificação da ABHB, Alfredo Drissen, conta que as primeiras experiências nesse sentido ocorreram ainda em 1998, mas só em 2000 foi criado por fim o Selo de Qualidade Pampa – substituído esta semana pelo selo Carne Certificada Hereford, lançado também durante a Feicorte 2013. Enquanto o selo garante a procedência dos animais, padronização de carcaça e sanidade, a marca distribuidora é a Seara Hereford, que fornece o produto a 2 mil pontos de venda.

Drissen reconhece que a carne certificada é limitada a um nicho de mercado. “A carne commodity sempre vai existir, porque a demanda por proteína animal, especialmente bovina, é crescente e precisa ser atendida”, afirma. “No entanto, com o aumento do poder aquisitivo, ele busca novas experiências, busca diferenciar a o que come no fim de semana ao almoço do dia a dia, e é aí que entra a carne de qualidade”. Os números parecem acompanhar as previsões do superintendente. De acordo com dados divulgados pela Associação, foram 2 mil toneladas de carne certificada Hereford comercializadas em 2012, contra apenas 145 toneladas em 2011. Apenas no restaurante Vermelho Grill, na sede em Campo Grande e na filial de Porto Alegre, são servidas 50 toneladas por ano de carne da raça.

Com as margens de lucro cada vez mais enxutas para a pecuária, os produtos premium garantem maior rentabilidade para o produtor ao mesmo tempo em que dão garantias de padronização. Um dia a carne que se compra no açougue pode estar deliciosa, no outro pode estar dura, rançosa ou com excesso de nervos e gordura. Ao pagar um valor maior, o consumidor pode ter a certeza de encontrar cortes com igual distribuição de gordura, maciez, suculência e sabor.

Com a disseminação da proposta, a própria indústria passou lançar marcas próprias, e divulgar sua procedência. A JBS/Friboi, por exemplo, chegou a contratar o ator Tony Ramos para estrelar comerciais promovendo o slogan “qualidade tem nome”. A empresa possui as linhas Swift in Natura, Maturatta, Orgânico, Swift Black, entre outras. Mas se todos os produtos possuem características próximas, o consumidor não poderia ficar confuso em meio a tantos produtos? Como escolher a melhor opção?

Para o consultor de qualidade de carne Roberto Barcellos, diretor da Beef & Veal, é tudo uma questão de costume. “É a mesma coisa que aconteceu com o café, com o azeite, com o molho de tomate, com o café. Veja o tanto de marcas disponíveis no mercado. Isso está acontecendo com a carne agora, e é uma coisa boa. Traz opção para o consumidor”, afirma ele, que trabalhou até 2010 com a certificação Angus e hoje oferece consultoria para diversas marcas ou selos – entre eles o Bonsmara Beef e a Simental Jaguaretê. Detalhes como o perfil do consumidor a quem o produto se dirige e o posicionamento no mercado tornam-se decisivos na escolha da carne ideal. “A dona de casa, quando vai às compras, quer uma carne magra, limpa e barata. Já o homem, quando faz churrasco no fim de semana, busca uma carne mais gorda, saborosa e não se preocupa com o preço”, expõe. A carne com selo de qualidade Simental é um desses exemplos e vem apostando em uma fatia de mercado pra carnes magras com um bom toalete que retira todo o excesso da cobertura de gordura, chamando atenção como opção para o dia a dia.

Em uma experiência recente nos Estados Unidos, Barcellos percebeu que produtos que compartilhavam a mesma experiência e qualidade podiam apresentar uma diferença de até 400% no preço. O que muda é a quantidade de informação disponível, isto é, se a carne não tem hormônios, se não foram aplicados antibióticos no animal, se a sua produção é sustentável. No entanto, não são todos os consumidores que se preocupam com estas informações. “Se você colocar um caminhão com carne barata em frente a uma favela, com uma faixa bem grande avisando que ela foi produzida com a destruição de florestas ou com maus tratos aos animais, ainda assim vai vender”, especula. “Quem tem fome não vai se importar com essas coisas. É por isso que a carne commodity precisa continuar, com a carne de qualidade sendo uma alternativa”.

Ciclo de palestras leva capacitação a tratadores durante Feicorte

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 19/06/2013

Simental 2- Andriolli CostaMédicos veterinários e representantes de quatro empresas ligadas ao mercado da pecuária bovina se unem na noite desta quarta-feira (19) para um ciclo de palestras direcionado não para pesquisadores ou pecuaristas, mas para os profissionais responsáveis pela lida direta com os animais: os tratadores. O evento acontece a partir das 20h durante a Feicorte 2013, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne.

Renato dos Santos, veterinário e consultor da Beckhauser, vai abordar o bem estar animal e o problema das lesões na fazenda – desde maus tratos, vacinas ou do próprio manejo agressivo, que pode levar o gado a desenvolver um comportamento arredio que incentive machucados no transporte ou no curral do frigorífico. “Um animal com medo ou foge ou revida. De qualquer forma, o grande perdedor será ele”.

De acordo com Santos, a empresa sempre buscou aproximar as relações com os tratadores nas edições da Feicorte. “Aqui estão os melhores. Melhores fazendas, melhores produtores e consequentemente os melhores peões”. O objetivo, de acordo com ele, é aproveitar a liderança que esses profissionais exercem na fazenda – quando na lida com os animais – para espalhar as boas práticas de manejo e bem estar animal por toda a produção. Stavros Tseimazides da Marfrig também aborda o bem estar, mas pelo ponto de vista da indústria.

Já a palestra de Carlos dos Santos, supervisor técnico da Tortuga, será sobre os cuidados na nutrição animal. “Eu vou falar de toda a vida de um boi, desde o nascimento até a terminação”, esclarece ele. Santos pretende chamar a atenção dos tratadores para a importância que eles possuem dentro da fazenda, visto que uma decisão certa ou errada, uma alteração de manejo deste ou daquele jeito pode determinar o sucesso ou perdas na produtividade. “Um descuido no abastecimento de nutrição faz uma diferença tremenda. Pode diminuir a prenhez das vacas em até 10%”.

Por sua vez, o diretor técnico de saúde animal da Ourofino, Marcus Rezende, vai tratar em sua fala da sanidade animal. Na hora de embarcar o animal, por exemplo, ele relata uma série de preocupações necessárias. “O caminhão que transporta o gado deve circular ar, mas não pode entrar vento. Ele deve ser aberto dos lados, mas fechado na frente para evitar doenças respiratórias”. Além disso, também é importante aplicar probióticos para evitar alterações metabólicas nos animais e anti-inflamatórios para minimizar a dor muscular. “O gado passa cinco, seis horas de pé no caminhão chacoalhando de um lado para o outro. Imagine a dor que ele não deve sentir?”.

Rezende divide em três os papeis exercidos pelos profissionais na fazenda: decisores, influenciadores e executores. “O papel de tomar a decisão cabe ao pecuarista. Porém o tratador é um grande influenciador e também o executor”. Responsável pelo contato direto com o gado, Rezende evidencia que a relação do peão com o animal é outra. “Não é pelo dinheiro. Ele realmente ama o gado. Isso faz com que o paradigma do bem estar animal seja mais facilmente transposto pelo tratador do que pelo próprio pecuarista”.

Serviço
O ciclo de palestras sobre produção pecuária e o papel do tratador acontece na Pista de Julgamento 1 durante a Feicorte 2013 a partir das 20h. A feira acontece no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A entrada é gratuita.

Aplicativo rastreia carne desde o nascimento do bezerro até o supermercado

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 19/06/2013

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Utilizando um único aplicativo para celular, o produtor rural seria capaz de cadastrar e atualizar todos os dados da vida de um animal desde o seu nascimento, construindo um verdadeiro histórico de sua procedência. Com o mesmo aplicativo, já na gondola do supermercado, o consumidor final poderia – na hora de escolher qual picanha ou filé levar para casa – ter acesso a todas estas mesmas informações e assim poder fazer a melhor escolha.

Essa é a proposta do BoiTag, uma nova tecnologia de rastreabilidade lançada esta semana em São Paulo durante a Feicorte 2013, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne. A solução consiste na utilização de um software próprio vinculado a um app para Android, que sincroniza com a nuvem as informações disponibilizadas pelos chips dos bois. Isso faz com que dados importantes como a descendência genética, idade, peso e sanidade do animal sejam facilmente acessíveis por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Desde o próprio produtor, até o governo e o consumidor final.

João Lopes Azevedo, diretor comercial da BML – uma das empresas responsáveis pela criação do sistema – esclarece que a nuvem é um espaço on-line onde as informações estão disponibilizadas. Não armazenadas em um único computador ou HD, mas na rede. Ainda assim, pela própria dificuldade de acesso à internet na zona rural, não é preciso estar conectado o tempo todo. “A sede da fazenda provavelmente tem acesso à rede, mas no campo você pode fazer todo o cadastro pelo celular off-line. Depois você pode subir esses arquivos pelo USB ou enviar por SMS, já que os dados são salvos em arquivos .txt”.

Todo o acompanhamento do animal, desde sua vacinação, alimentação, suplementação e transporte são acompanhados e atualizados pelo aplicativo, gerando um histórico de controle para públicos mais exigentes. Isso desde o mercado internacional até o comprador do dia a dia, que segundo Azevedo procura cada vez mais informação sobre o que consome. O app também se conecta com as balanças digitais, dando informações não apenas sobre o peso do animal, mas também o desfrute de cada corte. Desta forma o produtor rural é capaz de acompanhar e estimar os valores que deve receber na hora do abate no frigorífico.

Uma vez no frigorífico, Azevedo explica que há duas ações que podem ocorrer. “Caso a indústria não trabalhe com nosso software, ele acessará as informações de controle disponíveis no SisBov e pronto. No entanto, caso possua, o sistema vai gerar automaticamente uma etiqueta para cada um dos 30 cortes do animal”. A etiqueta RFID armazena os dados remotamente na etiqueta, e a etiqueta bidimensional, em forma de QR Code, é a que permite a consulta pelo consumidor.

Mas não é somente no mercado da carne que a tecnologia chama atenção. O produtor rural Luís Cesar Tavares, que trabalha com pecuária de leite, foi um dos que se mostraram interessados pelo produto. “O aplicativo conecta-se às máquinas na hora da ordenha e atualizam automaticamente no sistema os números de toda a produção de leite”, explica. Para Tavares, que cuida de 100 cabeças de vacas holandesas, ferramentas que favoreçam o controle e a gestão são fundamentais para o sucesso na pecuária.

Rastreabilidade
Há muito se fala em rastreabilidade animal, mas o sistema no Brasil a tecnologia nunca teve grande difusão. Pedro Mucillo é gerente de desenvolvimento de produto da Ceitec S.A, uma estatal ligada ao governo federal que desenvolve tecnologias de rastreamento relembra que desde 2006 o Uruguai exige por lei a rastreabilidade de cada bezerro.

“Para eles isso é mais fácil, porque o Uruguai é menor que o Rio Grande do Sul, então não se pode pensar em uma solução assim para o Brasil”. No entanto, ainda segundo ele, esse é certamente um dos motivos que fazem a carne uruguaia possuir reconhecimento mundial por sua qualidade e confiabilidade. “Em nosso País já estão surgindo propostas para incentivar a rastreabilidade animal nos estados”, relata Mucillo. “É uma tendência mundial, o futuro é esse: procedência e controle”.

Para João Azevedo, da BML, a realidade já começa a mudar. “Nos últimos quatro anos o preço de uma etiqueta de identificação caiu de R$ 12 para R$ 4,30. Hoje manter um animal rastreado do nascimento ao abate fica a partir de R$ 30”. A tendência, para ele, é que com o passar do tempo essas tecnologias fiquem diminuam ainda mais. “Por que a rastreabilidade nunca foi para frente? Por que a tecnologia tem que ser eficiente e acessível. Isso já está acontecendo e o mercado vai reconhecer os pioneiros”, prevê.

Veja os detalhes do processo no infográfico abaixo:

Boitag

Tecnologia de suplementação a base de melaço de cana chega ao Brasil

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 18/06/2013

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Chega oficialmente ao Brasil nas próximas semanas uma tecnologia de suplementação animal baseada no melaço da cana-de-açúcar, e não no sal mineral. Ainda que novidade no País, o produto, conhecido como MUB, já é utilizado nos Estados Unidos há mais de 35 anos. O lançamento oficial ocorreu hoje, durante a 19ª edição da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte 2013), em São Paulo. O Brasil é o primeiro a desenvolver o produto fora do território norte-americano.

No entanto, a própria utilização do melaço não é exatamente uma novidade. Em países como Austrália, Coreia, Chile e nos próprios EUA, o melaço já era utilizado em conjunto com a suplementação animal para melhorar a digestibilidade em pastagens de baixo valor nutricional. O problema, no entanto, é que a substância é facilmente diluída pela água, não suportando a incidência de chuvas. Esta é justamente a diferença do MUB; ser totalmente impermeável. E daí que surge o próprio significado da sigla: “Mistura de Umidade Baixa”.

Gerente executivo da MUB Brasil, o chileno Maurício Hinostroza acompanhou por oito anos o uso do produto em propriedades norte-americanas. “Nós utilizamos melaço desidratado, o que gera 100% de matéria seca. Além disso, é o uso do óleo vegetal que torna o produto a prova de água”. Essas propriedades também fazem com que a mistura não possa ser ingerida ou mastigada, apenas lambida.

O produto dispensa o uso do cocho. É disposto em baldes, que podem ser facilmente espalhados pela pastagem, o que promoveria um uso do pasto mais homogêneo. “Se você tem um cocho perto da água, o animal vai concentrar a pastagem perto dali. Com o MUB você pode movimentar os animais para onde você quiser”, esclarece Hinostroza. Cada base de 50 kg pode abastecer até 30 animais, com uma distância de 10 a 15 metros entre cada balde.

Há duas linhas para o produto: o verde, com 10% de proteína e indicado para os períodos chuvosos, e o amarelo, com 35% de proteína na composição para períodos de seca, quando a demanda energética é maior. Ainda que atrativo para o gado o animal não será capaz de consumi-lo a mais do que o necessário. O motivo é a adição de uma substância adstringente, que causa um gosto de banana verde na boca da vaca que lambê-lo demais.

Experiência internacional
ImagemDurante o mês de maio um grupo de nove pecuaristas brasileiros foram convidados pela empresa para conhecer o uso do produto em propriedades no Texas, nos Estados Unidos. Entre eles estava o produtor rural Antônio Campanelli que já encomendou o primeiro carregamento que deve chegar nos próximos dias. “Nós vamos buscar orientação da própria empresa para fazer um teste. Queremos dividir os animais e testar parte com a suplementação com MUB, parte com a que já utilizamos na fazenda e parte sem qualquer suplementação. Assim, poderemos verificar os índices de ganho de peso e rendimento”, relata.

Para Campanelli, o que mais chama a atenção no produto é a palatabilidade do melaço, que permite mascarar elementos dietéticos de baixa ingestão, como medicamentos, aditivos, vitaminas e minerais. “No Texas, eles vinham de uma seca muito pesada e o produto era usado em conjunto com o feno. Os animais estavam num estado de saúde muito interessante”. Segundo a empresa, o melaço melhora a fisiologia do rumem. Estimula o crescimento e a atividade bacteriana, melhorando o aproveitamento dos nutrientes.

Antônio Campanelli acredita que o futuro exige da pecuária o desenvolvimento de novas práticas e tecnologias para que esta se mantenha competitiva.“A pecuária como fazemos hoje no Brasil está superada. Precisamos investir mais em melhoramentos tanto na parte genética como na alimentar. A concorrência é grande e as margens cada vez mais achatadas”. Para ele, buscar constantemente novas tecnologias pode trazer a solução da produtividade.

Serviço
A 19ª Feicorte acontece até o dia 21 de junho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A MUB Brasil apresenta seus produtos em um estande durante todos os dias do evento. A entrada é gratuita.

Dorper é a primeira raça de ovinos a ter carne certificada no Brasil

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 15/06/2013

carne-de-ovinos-certificada-dorperO mercado de carnes de ovinos no Brasil segue em constante expansão. O rebanho brasileiro, com cerca de 14,6 milhões de animais segundo o IBGE, ainda não é capaz de suprir a demanda e faz com que o país precise importar da Argentina, Uruguai ou mesmo da Nova Zelândia animais vivos, resfriados ou congelados para o abastecimento interno.

Tal demanda vem de hotéis e restaurantes, redes de supermercados, casas de delicatessen ou butiques de carnes com um público consumidor conhecido pelo alto nível de exigência. E é neste cenário que a Associação Brasileira de Criadores de Dorper (ABDorper) lança o selo de qualidade cordeiro Dorper certificado.

Diretor técnico da Associação, Carlos Vilhena afirma que o Dorper é a primeira raça de ovino a apresentar certificação no País. Ele explica que selo identifica que o animal possui pelo menos meio sangue Dorper ou White Dorper, uma raça sul africana conhecida por sua aptidão para carne.

Com a heterose do cruzamento industrial de um reprodutor Dorper com uma fêmea de qualquer outra raça – mesmo as com aptidão para lã – é possível conseguir um animal mais precoce, com maior ganho de peso e que pode ser abatido com quatro ou cinco meses com 35-45 kg de peso vivo.

A idade, como explica Vilhena, tem grande influência no sabor: “Durante muito tempo nós comemos ovelhas velhas do Uruguai. É uma carne gordurenta, de sabor muito forte. No caso do Dorper o cordeiro jovem ganha em sabor e maciez, e não tem aquele ranço forte”.

Além de verificar e padronizar o período de abate as carnes que receberem o selo de certificação também possuem acabamento de gordura padronizado. Quem emite o selo é a VPJ Alimentos, empresa que também certifica carne de Angus. “O produtor vende o animal para a certificadora que faz o abate terceirizado e seleciona aqueles cortes que vão receber o selo”, esclarece Vilhena.

Atualmente mais de 50 produtores comercializam seus animais para a VPJ, com contratos de dois ou três anos para fornecimento. O valor pago pelo produto é de 10% a mais do que o oferecido pela indústria.

Feicorte

O selo cordeiro Dorper certificado será lançado durante a 19ª edição da Feicorte, a Feira Internacional da Cadeira Produtiva da Carne, que acontece em São Paulo de 17 a 21 de maio. Uma das principais atrações do evento será a Feinco Preview 2013, parte da Feira Internacional de Caprinos e Ovinos. Na terça-feira cerca de 500 animais de diversos estados brasileiros participam de um julgamento das raças Dorper e White Dorper para avaliar e divulgar a qualidade dos ovinos. Já na quarta ocorre também o Leilão Ouro – Dorper Campo Verde, com venda de matrizes, genética e reprodutores.

Esta é a terceira vez que a Campo Verde participa da Feicorte e agrega bons resultados. Carlos Vilhena, que também é gerente da empresa, relata que a aceitação dos ovinos na feira é muito boa. “O nosso objetivo é a produção de carne, mas com tecnologia, qualidade e precocidade. É uma proposta que se encaixa muito bem com a Feicorte”.

Plantas daninhas prejudicam ganho de peso e nutrição animal

Estudo inédito aponta prejuízos que as plantas invasoras causam à pecuária brasileira

Andriolli Costa / Rural Centro
Publicado em 14/06/2013

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Deficiência no manejo, pouca ou nenhuma adubação e baixa correção do solo nos pastos brasileiros são problemas frequentemente identificados e longamente estudados pelos pesquisadores. No entanto, os impactos que a falta de controle das plantas daninhas podem trazer para a pecuária nunca foram devidamente investigados. Esta é a opinião de Sidnei Marchi, professor da Universidade Federal de Mato Grosso que estuda as pastagens do Estado desde 1994. “As plantas daninhas sempre foram uma preocupação da área de lavoura, mas nos meus estudos pude comprovar qual prejuízo elas podem causar ao gado”.

Um relatório da Embrapa Amazônia Oriental, realizado no Pará em 2006, levanta algumas dificuldades causadas por este que, na região, é o mais sério problema de ordem biológica a ser enfrentado pelos pecuaristas e “um dos mais elevados componentes do custo de produção das fazendas”. Segundo o documento, as plantas invasoras concorrem com as forrageiras por luz e energia. Além disso, os espinhos podem danificar o couro do animal, prejudicando a comercialização. Em caso de ingestão, o gado pode até mesmo acabar envenenado.

Para Marchi, no entanto, estas preocupações são muito abstratas ou acadêmicas e pouco colaboram para que a cadeia produtiva tenha a real noção dos estragos. Ao estudar o comportamento do gado no pasto, o pesquisador identificou que presença de plantas urticantes ou com espinhos fazem com que o gado evite pastar a até um metro de distância da invasora, diminuindo a área disponível para pasto. “Involuntariamente ele não se aproxima daquele componente que causa algum tipo de mal estar para ele”, esclarece.

Mais do que isso, em uma relação de competição, as plantas daninhas também diminuem significativamente a qualidade nutricional das forrageiras. Em uma pesquisa inédita no País, Marchi acompanhou durante 120 dias os impactos desta relação. Os resultados completos ele apresenta na palestra “Uma nova visão sobre a interferência de plantas daninhas em áreas de pastagens”, durante a 19ª edição da Feicorte, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne.

“Com 15 dias de convivência da invasora com a forrageira há uma perda de 20% na produção de massa verde. Com 30 dias a perda cai para 45% e segue quase que em progressão geométrica”. A queda pode chegar a até 90% a menos de massa verde por hectare, o que implica em um pasto com baixo valor nutritivo e menos fibras digeríveis, diminuindo sua capacidade de suporte. “Com uma pastagem nessas condições ao invés de engordar um boi em dois anos você vai levar quatro, cinco anos. É como se você se alimentasse apenas de isopor”.

Mesmo nestas condições, um pasto assim não é irrecuperável. De acordo com o pesquisador, com até 60 dias de convivência ainda é possível recuperar pastagens quase em sua totalidade. “Se eu retiro o gado do pasto, faço um controle e retorno esse gado após outros 60 dias, a planta recupera o efeito negativo”. No entanto, caso o convívio com a planta daninha seja maior do que 75 dias o procedimento não compensa mais o uso do herbicida. Isso porque a forrageira já vai ter iniciado seu ciclo reprodutivo e não vai mais produzir novas folhas. “Por isso é importante que o produtor tome rapidamente providências contra as invasoras. Quanto mais cedo for a recuperação, melhores os resultados”, finaliza.

Serviço
A Feicorte acontece de 17 a 21 de junho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A palestra “Uma nova visão sobre a interferência de plantas daninhas em áreas de pastagens” será no dia 19, a partir das 14h.

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